Pergunte ao Pe. Cido Pereira

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"Ide e pregai o evangelho a toda humanidade"  (Mc 16,15)

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Olga Pergunta: Por que ao jejum se soma a abstinência de carne na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa?

 

Resposta: Minha irmã querida, que  beleza de pergunta! E para responder a você eu começo lembrando que Jesus nos oferece três meios importantíssimos para que preparemos a nossa páscoa neste “tempo favorável” de comunhão com Deus e com o próximo que é a Quaresma. Esses três meios são: a oração, o jejum e a esmola.

A oração nos coloca em profunda comunhão com Deus. O que é a oração se não um diálogo com Deus, não é mesmo? Deus fala, a gente escuta. A gente fala, Deus escuta. É lindo isso. E esta comunhão com Deus, esta verdadeira intimidade com Deus será tanto mais profunda quanto mais nós vamos aprendendo a falar a Deus como filhos ao Pai, com simplicidade e abertura de coração. Quaresma é tempo desta oração, viu minha irmã?

Depois, Jesus nos fala do jejum. E aqui nós vamos responder ao que você me perguntou. Pelo jejum eu me abstenho de comida. Ora, o que nós comemos são frutos da terra e a carne de animais, não é mesmo? Então pelo jejum e pela abstinência de carne eu vou educar a minha vontade que tantas vezes prefere os prazeres da mesa e muitos outros. Veja você que não é de hoje que a expressão “prazeres da carne” pode significar tanto a gula como  os pecados contra a castidade. Já pensou nisso? Pois então! Na Quaresma o jejum e a abstinência de carne significam que eu vou dominar a minha vontade para querer só o que Deus quer, para me ajustar à vontade de Deus. E fica respondida a sua pergunta.

Falta um outro meio importante que Jesus nos deu para vivermos bem o tempo da Quaresma. É a esmola, que lembra a caridade, o amor fraterno. Pela caridade eu entro em comunhão com o meu próximo.

Vamos recordar então? Jesus nos propõe neste tempo da Quaresma três meios: a oração, o jejum e a abstinência de carne e a caridade fraterna. E veja que coisa linda:

Pela oração eu entro em comunhão com Deus.

Pelo jejum e abstinência de carne eu entro em comunhão com a natureza. Eu deixo de olhar a natureza – as plantas, os animais – não apenas como fonte de alimento mas como dom de Deus que precisa ser preservado.

E pela esmola, pela caridade fraterna, eu entro em comunhão com os meus irmãos, principalmente com os mais pobres e excluídos da mesa comum.

Sabe, minha irmã, eu acho que agora você entende bem o porquê da Igreja fazer uma campanha da fraternidade na Quaresma, não é mesmo? A Campanha da Fraternidade é um jeito bem concreto da gente entrar em comunhão do Deus, com o próximo e com a natureza. Por isso mesmo, vamos viver bem este tempo, viu?

Regina pergunta: Sou católica e minha filha evangélica. Fui ao um culto. Gostei. Não consigo, porém aceitar a rejeição a Nossa Senhora, aos Santos e à Eucaristia. Freqüentar outras religiões é pecado?

 

Padre Cido responde: Sabe, Regina, a sua pergunta me fez lembrar um padre muito querido, um homem de Deus que eu respeitava e pelo qual sempre nutri muito carinho. Estou falando do monsenhor Espiridião, que hoje está celebrando a liturgia eterna junto de Deus.

Uma ocasião, monsenhor Espiridião recebeu a visita de uma antiga catequista que foi se despedir dele por que tinha “virado crente”, é assim que o povo fala, não é mesmo?

Monsenhor Espiridião, homem de Deus, sofreu com aquela notícia, como sofrem hoje muitos  pais e mães e muitos padres da Igreja quando vêem seus filhos mudarem de religião como se religião fosse um bem de consumo ou uma roupa que se troca a qualquer momento. Aqui vai mesmo um recado para aqueles irmãos e irmãs que se “ex-comungaram” de nossa Igreja. A palavra excomungar quer dizer isso, colocar ou colocar-se fora da comunhão com os irmãos na fé. O recado é este:: Voltem! Seus irmãos na fé em Jesus, a comunidade católica está com saudades de você!

Mas voltemos ao caso. O Monsenhor Espiridião, disse com tristeza para aquela menina que ele batizou, que foi do seu grupo de jovens e que, de repente “passou para os crentes”: “Minha filhinha querida, que pena! Você está deixando para trás Jesus na Eucaristia, está deixando para trás a mãe de Jesus e nossa, está virando as costas para os grandes heróis da fé e nossos exemplos no seguimento de Jesus que são os santos”.

Regina, diga isso para sua filha, viu? E trate, minha irmã, de viver intensamente a sua fé católica sem essa de ficar fazendo concessões a sua filha. Diga a ela, com toda doçura, mas também com toda firmeza, que você respeita a opção dela, mas que ela respeite também a sua e que você não troca sua fé católica por nada neste mundo.

Sua pergunta se é pecado freqüentar outras igrejas, você mesma pode responder.

Uma coisa é freqüentar outra Igreja numa semana de oração pela unidade dos cristãos. Outra coisa é freqüentar outra Igreja por duvidar das verdades da sua própria Igreja.

Uma coisa é freqüentar outra Igreja circunstancialmente, isto é, ir a um casamento ou a alguma celebração especial. Outra coisa é criar o hábito de ir lá e cá, como se fosse a mesma coisa. Não é a mesma coisa. A Igreja Católica não abre mão de suas verdades. E o verdadeiro ecumenismo consiste em orar junto, em conviver fraternalmente, em colaborar no serviço de caridade, mas  também enfrentar o desafio de se confrontarem as verdades em que se crêem.

O critério de beleza – ó como é bonito o culto daquela Igreja; o critério da emoção – Puxa! Aquele fala do pastor mexeu comigo!; o critério do “todas as religiões são boas!” não são legítimos porque a verdade que liberta, a verdade que ilumina e esclarece é deixada de lado.

Regina, com certeza absoluta, você nem ninguém peca ao ir orar numa Igreja diferente da sua. Neste ponto Jesus é muito claro quando diz que “quem fala bem dele não é contra ele”. Mas cá entre nós, Regina: Se nós temos tudo o que precisamos e do melhor em nossa casa, por que ir buscar no vizinho? Entendeu, minha irmã? Então fique com Deus e que ele abençoe você e sua família.

Arminda pergunta: Posso rezar o rosário trabalhando ou é necessário parar tudo para rezá-lo?”

 

Padre Cido responde: “Arminda, mas que pergunta interessante, menina? Houve um tempo na Igreja em que se dizia que oração e trabalho não se misturam. Então, havia um tempo para trabalhar e outro para orar. As Igrejas eram os lugares de oração por excelência, porque nelas a gente ia para rezar. Isso acabou levando a um equívoco, sabe, Arminda. As pessoas passaram a separar fé e vida. E diziam: “Na Igreja eu sou cristão. Aqui fora eu sou uma pessoa qualquer”. Olha só, Arminda, a que ponto se chegou. Pensando desse jeito dava até para concluir assim: Na Igreja eu sou santo como Deus quer. Fora da Igreja eu sou pecador como o resto do mundo. Na Igreja eu amo meus irmãos. Fora da Igreja não tenho irmãos, tenho adversários.

Graças a Deus, Arminda, esta mentalidade foi superada, viu? E as pessoas começaram a dizer que o trabalho bem feito é oração. Melhorou muito, não é? Sim porque as pessoas passaram a entender que tudo que eu faço bem feito e consagrado a Deus já é uma oração. Só que muita gente usou isso como desculpa para não rezar mais. Ir à missa pra quê? Eu rezo em casa. Rezar pra quê? Minha vida inteira é uma oração. Hummmm! Será mesmo? Ou é uma desculpa para não orar?

Aí veio uma terceira atitude que eu acho a mais correta e faz uma bela composição das outras duas: Não há lugar nem tempo para orar porque fé e vida estão integradas. Eu sou cristão dentro e fora da Igreja.  Não há lugar nem momento para orar, porque todo momento e todo lugar são momentos e lugares de comunhão com Deus.

Pe. Cido Pereira,

Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação em São Paulo , Diretor do jornal "O São Paulo"  e  apresentador do programa Bom dia Povo de Deus  na rádio católica 9 de Julho.

Catarina pergunta: Alguém me fez algo que não gostei e depois mais tarde me chamou para ser sua madrinha de crisma. Eu não aceite. O senhor acha que eu fiz certo ou errado? Sou do apostolado da oração e entreguei essa pessoa para Nossa Senhora ser madrinha dela no meu lugar, porque ela continua dando trabalho até hoje para a mãe dela.

 

Padre Cido responde: “Minha irmã querida. Eu estou pensando cá comigo, que você perdeu uma grande chance de ajudar esta pessoa a crescer diante de Deus e dos homens, como Jesus cresceu sob os cuidados de Maria e José.

Se esta pessoa escolheu você como madrinha é um sinal de que para ela você é uma referência. Significa que ela a respeita, que ela precisa de você ao lado. Ser madrinha significa ser “mãe na fé”. Pense nisso, viu? Entregar a pessoa a Nossa Senhora é muito bonito, mas Nossa Senhora pode ajudar você a ajudar sua afilhada.

Você justifica sua recusa, alegando que a pessoa continua dando trabalho para a mãe dela. Pois é, e quem vai ajudar esta pessoa a se corrigir, a tomar consciência de que pelo caminho que está trilhando acabará por ser infeliz? Quem vai ajudá-la a entender que tudo na vida depende das escolhas que a gente faz e que uma escolha mal feita hoje compromete o resto da vida?

Sabe, minha irmã, Deus às vezes nos confia determinadas tarefas e nós nos escondemos atrás de desculpas. É o que eu penso a respeito da questão que você me apresenta. Que Deus ajude você a ajudar esta pessoa. Um abraço do Padre Cido.

Larissa pergunta: Fiz minha primeira comunhão há pouco tempo atrás, e meus pais me disseram que antes era obrigatório estar em jejum para receber a consagração. Por que isso mudou? Mudou-se a lei ou as pessoas mudaram por vontade própria? Vejo até padres mesmo, fazendo lanchinhos durante as reuniões dos grupos de oração e logo em seguida receberem a hóstia consagrada. O que é o correto?

 

Resposta: Sua pergunta, minha irmã, é importante porque nos permite esclarecer a questão do jejum eucarístico. A Igreja nos pede que nos abstenhamos de qualquer alimento uma hora antes da comunhão. Da rigorosidade do passado, que prescrevia um jejum absoluto, a Igreja passou a prescrever apenas uma hora. Os doentes e idosos estão dispensados deste jejum.

Por que mudou a prescrição do tempo do jejum eucarístico? Primeiramente porque a comunhão é um alimento de outra ordem, é um alimento espiritual. Em segundo lugar porque trata-se de uma ordem disciplinar que a Igreja, atendendo às necessidades dos fiéis pode mudar. Alem disso, vale lembrar que Jesus quis, através da Eucarisita, que entrássemos em sua intimidade e quis que fôssemos íntimos dele. A comunhão tem o efeito transformador em nossa vida.

Você falou dos padres que participam de confraternizações em reuniões e depois vão celebrar. Pense que em muitos lugares a carência de padres faz com eles sejam obrigados a celebrar duas, três e até quatro missas por dia. Por que exigir deles um jejum imenso assim? A Igreja lhes permite tomar uma breve refeição entre as diversas missas.

Temos que obedecer a Igreja quanto ao jejum eucarístico? Claro que temos. Mas tomemos consciência de que o amor está acima da lei.

Rosabel Pergunta: A Igreja é Contra a Cremação?

 

Padre Cido responde: Esta pergunta já me foi feita vária vezes, Rosabel. E é sempre bom a gente voltar a ela, até porque cresce cada vez mais a aceitação da cremação dos corpos por parte das pessoas.

A Igreja sempre teve um profundo respeito pelo corpo humano, esta “habitação terrena” em que vivemos, conforme nos diz o livro de Jó. A Igreja ensina que o nosso corpo, enquanto está em investido pela nossa alma, é templo do Espírito Santo. Por isso a Igreja chama o cemitério de “campo santo”, por isso a Igreja tem todo um ritual de sepultamento e bênção dos túmulos.

A Igreja não aceitou de imediato a cremação dos corpos, viu Rosabel. Houve um tempo em que ela chegou a proibir mesmo a cremação. E por quê? Porque a maçonaria, uma sociedade secreta fundada por associações de pedreiros e arquitetos lá na Idade Média, passou a afirmar que os corpos poderiam ser cremados e, inclusive, as cinzas poderiam ser usadas como adubo. Você já percebeu,então, porque a Igreja foi contra, não é mesmo? Ela já não admitia que seus filhos fossem maçons. E ainda mais vem a maçonaria com esta idéia maluca.

Só no século 20, quando a maçonaria cessou de divulgar suas teses absurdas sobre o corpo humano e quando se impuseram as exigências de higiene pública, a Igreja passou a admitir a cremação.

Uma questão que poderia impedir a cremação seria a questão da ressurreição final. Acontece que Deus é todo poderoso. A ressurreição dos corpos será obra dele. É ele que fará os corpos ressuscitarem do pó da terra, por que não poderá fazê-los ressuscitar das cinzas, não é mesmo? Por que limitar o poder de Deus? É isso aí, Rosabel. Fique com Deus e que ele abençoe você e sua família.

Gilberto Pergunta: Em João 19, versiculo 25 diz:" A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cleófas, e Maria Madalena estavam junto à cruz". Neste paragrafo nos confundimos um pouco se haviam 4 ou 3 mulheres, e quem eram mesmo elas, ao pé da cruz: 4=Mar ia(mãe de Jesus); a irmã da mãe dele( pelo que se sabe Maria era filha unica); Maria de Cleófas e Maria Madalena;3=Maria(mãe de Jesus); a irmã da mãe dele, Maria de Cleófas(alguns evangelhos apócrifos dizem que Cleófas era um discipulo e Maria, sua mãe, em outro que Cleófas era irmão de São Jose e seria sua esposa chamava Maria)e Maria Madalena.

 

Padre Cido responde: “Veja que bonito, meu irmão. Há três Marias neste texto.

1. Maria a Mãe de Jesus. Ela está junto do filho. É a mãe das dores, a mãe das angústias, a mãe solidária. Maria é o modelo de compromisso com Jesus, por isso ela representa ali todos a comunidades cristã, todos os que aceitam o senhorio de Jesus e querem fazer de Jesus o Caminho, a Verdade e a Vida.

2. Lá está também Maria de Cleofas Alfeu. Ela irmã de Nossa Senhora e provavelmente a mãe dos "irmãos de Jesus", uma vez que na cultura judaica todos os primos eram considerados "irmãos", membros da mesma família. Maria de Cleofas era, portanto, tia de Jesus.

3. E lá estava Maria Madalena, a mulher que teve sua vida transformada por Jesus e que se tornaria não só testemunha de sua morte mas também testemunha de sua ressurreição. Maria Madalena foi quem levou a alegre notícia da ressurreição de Jesus aos apóstolos.

É isso aí, meu irmão. O texto não tem tanta dificuldade assim. O importante é a leitura bonita que a Igreja faz deste texto: A Igreja inteira, santa e pecadora, representada nas três Marias, está junto à cruz de Jesus, de onde veio a salvação para toda a humanidade. Quanto à árvore genealógica de Jesus você vai encontrá-la no primeiro capítulo do Evangelho de Mateus e em Lucas 3, 23. Um abraço do Padre Cido.

Marcia Cristina Pergunta: No evangelho de hoje temos a passagem que fala que aquilo que nós desligarmos na terra será desligado no céu e aquilo que nós ligarmos aqui na terra também será ligado no céu.

 

O que significa??!!

Significa perdão??!!

 

Resposta: Minha querida irmã, Márcia Cristina. Lembre-se que neste texto, Jesus está agradecendo a confissão de Simão que o proclama Messias, Filho de Deus, afirma que Simão foi inspirado pelo seu Pai celestial, muda o nome de Simão para Pedro e afirma que sobre esta pedra edificará sua Igreja. E prossegue dizendo que dará a Pedro as chaves do reino dos céus. E conclui: O que ligares na terra será ligado nos céus e o que desligares na terra será desligado no céu.

As chaves significam poder. Desde tempos mais remotos, o ato de entregar as chaves de uma cidade a alguém significa dar a este alguém o poder de governara aquela cidade. Pedro recebe de Jesus, portanto, o poder de governar o Reino de Deus, a Igreja.

E vem então a frase para a qual você pede uma explicação. Desligar alguém significa livrar alguém de uma obrigação. Caberá a Pedro, como uma espécie de mordomo, o poder de acolher alguém na Igreja e de excluir também (isto é) excomungar, declarar alguém fora da comunhão da Igreja.

E veja, esta promessa é feita a Pedro e a seus sucessores. E aqui vai mais uma explicação: Nenhum Papa sucede a outro Papa. Cada Papa sucede a Pedro, de tal forma que podemos dizer que Pedro hoje se chama Bento 16. Entendeu, minha irmã? É isso aí. Fique com Deus e que ele abençoe você e sua família.

 

Marcia pergunta: Qual é a diferença de padres diocesanos e padres congregados, os votos são os mesmos?

 

Padre Cido responde: Marcia, boa pergunta. Na história da Igreja muitos homens e mulheres, tocados pela realidade sofrida dos pequenos e pobres, pela necessidade missionária da Igreja ou por alguma necessidade de ordem espiritual do Povo de Deus, e inspirados pelo Espírito Santo fundaram ordens religiosas, famílias ou congregações religiosas que acolhem homens e mulheres para viverem juntos o carisma escolhido. São Francisco de Assis, São Bento, São Domingos fundaram ordens religiosas que    constituem grande riqueza para a Igreja. Outros santos fundaram famílias e congregações religiosas. A maioria das ordens e congregações algumas no sentido mesmo de reunirem padres que vivessem o ideal daquela ordem, congregação ou família exercendo o ministério como missionários, como párocos junto ao povo. Os padres religiosos, ou como vocês os chamam de "congregados" e os frades (que vivem como irmãos num convento), fazem os votos solenes de Castidade, Obediência e Pobreza, e estão sob a coordenação de um superior geral, que assume nomes diferentes dependendo da congregação ou ordem. São chamados de priores, de reitores, de abades.

Os padres diocesanos são aqueles que vivem sob a coordenação do bispo na diocese. Eles não fazem os votos solenes, mas na ordenação eles prometem obediência ao bispo, prometem viver uma vida de simplicidade e a guardarem o celibato. Tanto os padres religiosos como os padres diocesanos se obrigam a viver na castidade, na obediência e na pobreza. A diferença é que os padres religiosos fazem o seu voto de uma forma solene e os padres diocesanos fazem seus votos na celebração da ordenação diante do bispo.

O importante, Marcia é que todos os padres, diocesanos e religiosos, são chamados a serem para o povo de Deus, sacerdotes, pontes entre Deus e os homens, mestres, anunciando a Palavra de Deus, e pastores, que reúnem os fiéis em comunidades como o pastor reúne as ovelhas. Jesus é, por excelência, o Sacerdote, o Profeta e o Pastor. Os padres todos, chamados por Deus, participam desse tríplice serviço do Cristo como sacerdotes, mestres e pastores. Fiquem com Deus. Que Deus abençoe vocês e seu lar. Padre Cido.

Fátima Pergunta: É pecado denunciar uma mãe que maltrata seu filho?.

 

Padre Cido responde: Fátima, é muito bom saber que daí de tão longe, em Portugal, você lê as respostas que eu dou às perguntas dos fiéis. Sabe, Fátima, a sua pergunta é muito interessante e nos permite refletir sobre o modo como Jesus nos ensina a corrigir os que na comunidade são motivo de preocupação pela forma de agir. O primeiro passo é conversar com essa mãe? Você, Fátima, já conversou com esta mãe? Já ajudou-a a entender que o filho precisa do carinho, da compreensão, da ternura dela? De repente uma boa conversa poderá lhe abrir os olhos. Se ela não ouvir você, Fátima, o passo seguinte é ir você e mais uma amigo conversar com a pessoa. Mais pessoas preocupadas com o problea podem ajudar esta mãe a  reorientar suas atitudes para com o filho. Se mesmo assim esta mãe continua a maltratar o filho, a ser violenta com ele, aí é o caso de denunciá-la ao poder público. Jesus afirma que a pessoa deve até ser excluída da comunidade. Ver uma criança sofrendo nas mãos de uma mãe doente ou neurótica e não fazer nada é pecado de omissão, não é mesmo Fátima? Em todo caso, se você é amiga desta mãe siga os passos que Jesus indica. Sempre, é claro, iluminada pela caridade e pelo desejo de que esta mãe cumpra a linda missão que Deus lhe confiou. Deus a abençoe, querida irmã.

Rose pergunta: Na noite da Vigília Pascal (sábado), foram colocados 5 cravos no Círio Pascal. Na minha ignorância sempre entendi que representavam os cravos colocados na cruz de Jesus, apesar de não serem na mesma quantidade. É isso mesmo que representa? Se é, porque não são retirados do Círio no domingo da Páscoa, já que houve a Ressurreição?

 

Padre Cido responde: Os cinco cravos cravados no Círio Pascal, mais do que os pregos que pregaram Jesus lembra as cinco chagas deles, duas nas mãos, duas nos pés e uma no lado aberto pela lança. E por que não são retirados no domingo de Páscoa? Lembre-se do encontro de Jesus com Tomé. Tomé havia dito que se não tocasse no buraco dos pregos nas mãos e nos pés de Jesus, se não colocasse a mão no seu lado aberto, não acreditaria que ele tinha ressuscitado. Pois bem, Jesus voltou onde estava os apóstolos uma semana depois. Chamou Tomé e lhe disse: "Toque aqui nas minhas mãos e nos meus pés. coloque sua mão aqui no meu lado e não sejas incrédulo. Tenha fé". Tomé então caiu de joelhos e disse: "Meu Senhor e meu Deus!" Está vendo Rose? Jesus ressuscitado, vencedor da morte carrega os sinais de sua crucifixão e morte para nos lembrar o seu gesto de amor por nós. Por isso o Círio Pascal que representa o Cristo ressuscitado no nosso meio tem os cindo sinais das chagas de Cristo. Boa Páscoa para você, minha irmã. Fique com Deus e que ele abençoe você e sua família.

Giuliani Pergunta: Olá, tenho 16 anos eu sou católica desde que nasci, pois gosto e acredito naquilo que se diz lá. Mas tem um porém me interesso por assuntos espíritas mas não como uma religião e sim como um estudo, um estudo do espírito, assim como estuda física, biologia, etc. Assisti um filme muito interessante minha vida na outra vida é uma historia belíssima, eu creio na supremacia divina se for da sua vontade que os mortos se comuniquem com quem ta vivo pq não? ou que voltem para essa terra como ocorreu no filme? Aí lendo a bíblia achei uma parte onde Deus proíbe a invocação dos mortos (o que ocorre no espiritismo). Aí vendo uma reportagem sobre o Chico Xavier ele se comunica diversas vezes com os mortos, como isso poderia acontecer? A igreja explica que qualquer manifestação dessa maneira seria por algo maligno que estaria tentando confundir nossos pensamentos. Mas como uma manifestação ''maligna'' pode trazer só o conforto para os corações aflitos de quem perdeu um ente querido? E se o Chico Xavier fosse um charlatão como alguns dizem, qual seria seu interesse, se ele não tinha acesso ao dinheiro que recolhia através de suas obras, e sua vida toda entregue em fazer o bem? Por favor me esclareça essas duvidas, obrigada desde já. =)

 

Padre Cido responde: Giuliani, fico feliz de poder responder a uma jovem que aos 16 anos se preocupa em viver bem a sua fé. Que bom você se apresenta como católica, porque assim eu posso falar a você com todo carinho e sinceridade.

Sabe, minha irmã, nós devemos respeitar muito todas as manifestações religiosas. Eu tenho um profundo respeito pelos espíritas e particularmente por Chico Xavier, um homem bom que marcou sua presença pela bondade com que acolhia a todos que o procuravam. Respeitar, porém, não significa aderir. E aqui então vão algumas considerações para você pensar.

Minha irmã, é impossível ser católica e espírita ao mesmo tempo. O espiritismo nega as verdades fundamentais da nossa fé. Veja só:

1. O Espiritismo nega a divindade de Cristo. Para nós, como professamos no Credo, Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Para o Espiritismo, Cristo não passa de um espírito puro que passou por esta terra fazendo o bem.

2. Nós cremos na ressurreição da carne. No final dos tempos todos ressuscitaremos. Foi Jesus quem o prometeu. O Espiritismo prega a reencarnação. Ou seja, nós vamos migrando de um corpo para o outro até nos purificarmos.

3. O Espiritismo nega a redenção. Para o espiritismo, Cristo não morreu para nos salvar. Somos nós que vamos nos salvando de uma reencarnação para outra.

4. Enfim, minha irmã, nós cristãos somos convidados a amar o nosso próximo como a nós mesmos, a amar o próximo como amamos a Deus e a amar o próximo como Deus nos ama. Não amamos o próximo por interesse. O espírita ama o próximo em vista de uma próxima reencarnação mais feliz.

Eis algumas diferenças, minha irmã. Por isso mesmo, eu convido a você, como católica, a alimentar seu coração com livros que ajudem você a mergulhar fundo nas verdades de nossa fé. Não deixe, porém, de respeitar a caminhada de seus amigos espíritas. Mas, volto a insistir, respeitar não pode significar aderir, ou imaginar que tudo é igual, porque não é. Fique com Deus e que ele abençoe você e sua família. 

Rosangela pergunta: Quero saber se é pecado uma pessoa se casar e não querer ter filhos.

Padre Cido responde: Rosângela, minha irmã. Há várias razões para uma pessoa não querer filhos. Ela pode não querer filhos por medo da responsabilidade. Ela pode não querer filhos porque seu casamento não vai bem. Ela pode não querer filhos por conselho médico, em vista de uma possível gravidez de risco. Ela pode não querer filhos porque quer exercer sua sexualidade orientando sua sexualidade apenas para o prazer e não para a vida. Eis alguns motivos. Agora, pense comigo, minha irmã. Há motivos aí ditados apenas pelo egoísmo, não é mesmo? Veja, a responsabilidade de gerar um filho é grande, mas co certeza vai completar a vida de amor do casal.  Não ter filhos porque o casamento não vai bem é um bom motivo, afinal de contas um filho deve ser fruto do amor e não remédio para reparar uniões mal-feiras. Na impede, porém, ao casal que voltem ao encantamento dos primeiros tempos de casados, não é mesmo? A possibilidade da gravidez de alto risco é séria,  mas, se os dois se amam, podem adotar ou deixar-se adotar por uma criança à espera do amor paterno e materno. A sexualidade que não é aberta para a vida é de um egoísmo a toda prova. Um dia o casal vai enjoar-se um do outro, porque o culto ao prazer é maior que o amor que os une. Perguntar sobre o pecado, a pessoa mesma deve responder. Todos nós sabemos quando escolhemos nossos próprios caminhos sem a interferência de Deus. Minha irmã, o casal cristão deve procurar a ajuda de um padre amigo, aconselhar-se com ele. Que converse com Deus, escute a Deus, procure a ajuda de um padre, de um bom médico, de amigos felizes com seus filhos.

 

Nome: João Carlos - São Paulo / SP


João Carlos pergunta: Padre Cido Pereira, tenho 20 anos, sou católico praticante e minha namorada também,vamos na missa todos os domingos, participamos do grupo de oração de nossa igreja,e prometemos nos guardar para o casamento.Porém,só poderemos nos casar daqui a uns 9 anos,e esta cada dia mais difícil agüentar.Ontem nós ficamos esfregando nossas pernas e nossas partes intimas também, isso faz com que nosso desejo sexual diminua e da mais força para seguir o caminho da castidade. Sei que isso é pecado Padre, mas é a única forma que encontro de agüentar até o casamento. O que eu devo fazer? Eu sei que irei me casar com ela, pretendemos ter filhos, e só não casamos agora porque não temos condições. É pecado nós fazermos isso mesmo se nos casarmos depois? Por que a masturbação é pecado? Desculpe as minhas dúvidas vergonhosas,mas estou muito perdido.Obrigado pela atenção. João Carlos.

Padre Cido Responde: João Carlos, primeiramente parabéns pela sua corajosa sinceridade ao fazer sua pergunta. Sabe, meu amigo, você vive o drama de tantos jovens que querem viver a castidade num mundo marcado pelo hedonismo, pelo culto ao prazer. Pouco tempo faz, eu fui benzer uma casa, a pedido de uma família. No quarto da filha do casal que me convidou, havia um poster imenso onde se lia "Carpe diem". Esta é uma palavra de ordem em latim e se traduz assim: "Aproveite o dia de hoje", curta o momento. Este parece ser o lema da imensa maioria de jovens. Sem perspectivas quanto ao futuro, sem emprego, sem ideais que norteiem a vida, os jovens mergulham no prazer, no sexo sem compromisso, sem amor. Basta uma tal de "cumplicidade" e pronto.
João Carlos, uma vida na fé, uma experiência bonita de Jesus Cristo em nossa vida, nos ajudará a sonhar mais alto, a investir no futuro, a cultivar valores mais plenos, a resistir ao culto ao prazer tão em voga, a não desistir do verdadeiro o amor, capaz até mesmo do sacrifício, da renúncia ao sexo até aquele momento em que os dois poderão ser inteiramente um do outro.

Outra coisa, João Carlos, o amor verdadeiro entre um homem e uma mulher exige responsabilidade, respeito e fidelidade. A responsabilidade, como a própria palavra define, faz com que cada um responda pela felicidade plena do outro. E não me consta que se chegue à felicidade plena quando se coloca o prazer em primeiro lugar, particularmente quando os dois estão em fase de discernimento, tentando descobrir se de fato Deus os destina um ao outro.O respeito no amor é fundamental. A falta de respeito numa relação é o começo do fim, viu João Carlos? É preciso respeitar a sensibilidade do outro, a fé do outro, a visão do mundo do outro, o corpo do outro. Este respeito fará com que nenhum dos dois faça algo de inconveniente que venha a ferir o outro no corpo e na alma.
Enfim, a fidelidade, vai lembrar sempre ao homem e à mulher que se amam, que a traição é uma injustiça para com o ser amado, é um gesto de desamor numa relação que se espera ser de profundo e exclusiva entrega.

Eu sei, João Carlos, que muitos que estão lendo esta resposta a você talvez estejam ironizando a reflexão que estou fazendo. Mas o que eu quero lembrar a você e à sua namorada, que me parecem querer viver com seriedade sua fé, é que a sexualidade humana é linda. Ela se torna mais linda ainda, porém, quando iluminada pelo compromisso de amor responsável, respeitoso e fiel, assumido no sacramento do matrimônio. Porque no matrimônio, além de estar a serviço do amor, ela está a serviço da vida.Converse muito com sua namorada, viu meu irmão? E não fiquem os dois buscando compensações como estão fazendo. Até porque não se peca contra a castidade apenas completando a relação sexual. Peca-se também nas intenções, nas compensações. E não justifique essas compensações com os propósitos de futuro casamento. Até porque namoro é tempo de discernimento e nem sempre é certeza de futuro casamento. Cultivem bem o amor de vocês. Saibam olhar um para o outro sem o sentimento de posse. Entendam que a renúncia hoje vai fazer a união de vocês no futuro muito mais cheia de sentido.”   

 

Nome: Maria Vieira - Cachoeiro do Itapemirim / ES                                                   


Maria Vieira pergunta: Bom Dia Padre Cido estou muito triste pos meu filho de 20 anos não quer mais ir as missas, ele diz que sempre se sentiu obrigado a ir mais nunca foi de boa vontade e sim porque eu o chamava. Ele agora se sente no direito de escolher quando pretente ir, mais eu sei que se ele for esperar sentir vontade ele nunca mais vai pisar na igreja. Ele tambem fala que para sentir Deus na vida dele não p recisa esta dentro de uma igreja. Padre peço sua orientação de como agir perente meu filho, estou muito triste com a atitude dele.Agradeço pelo espaço para partilhar com o senhor minha angustia.

Padre Cido responde: Minha querida irmã Maria. Eu entendo a mistura de tristeza e preocupação que você tem em seu coração. Eu quero, porém, tranqüilizá-la e dizer a você que você cumpriu bem sua missão de mãe. Você mostrou o caminho de Deus para seu filho com sua palavra e seu exemplo. E o que ele ouviu e aprendeu com você vai ficar arquivado no coração e na memória dele.Não fique preocupada então, Maria. Você verá que mais cedo ou mais tarde seu filho vai acionar toda a riqueza e toda a experiência de fé que viveu com você na infância e na adolescência, num momento, sabe-se lá, de alegria ou de tristeza. Pense bem, só o fato dele afirmar que pode sentir Deus em sua vida sem precisar estar dentro de uma igreja já é um fato positivo. Ele não nega a possibilidade de "sentir" ou de experimentar Deus em sua vida.Você foi uma boa mãe, Maria. Continue sendo orando agora para seu filho. Pode até mesmo, de vez em quando, lembrá-lo da importância de se estar junto com os irmãos na fé em volta do altar e partilhar o pão que é Jesus. Mas sem cobranças, sem insistir demais. Eu costumo dizer a muitas pessoas que vivem situações semelhantes à sua que quando chegamos ao ponto de não podermos mais falar de Deus para alguém, podemos falar desse alguém para Deus. Seu filho tem, portanto, coisas lindas no coração. Reze para que ele possa utilizá-las quando a vida parecer complicada de mais, quando de repente, ele tiver que fazer escolhas. Que Deus lhe dê sabedoria para fazer as escolhas certas. Fique com Deus e que ele abençoe você e sua família. Um abraço do Padre Cido.

Nome: Marilda Souza (Mary)   -  Passos / MG

Mary Pergunta: Padre, estou em dúvida em ter questionado a postura da administração de um grupo de jovens da minha Paróquia. Os adolescentes tem que ser indicados por alguém do grupo , uma vez por ano. Pedi que abrissem uma exceção pra minha filha de 15 anos, estou com alguns probleminhas com ela, queria que participasse mais da Igreja, no ano passado a amiga esqueceu de indicá-la. A resposta foi não, me disseram que perdem o controle assim, a pessoa tem que ser indicada no dia marcado, porque já são 220 adolescentes. Eu respondi à eles: Jesus quando veio ao mundo não estipulou data a seus discípulos, nem número de seguidores! não é a toa que a Igreja católica perde fiéis para as evangélicas, não que eu pense nisso. Padre, seria exagero meu ou estou certa, não posso esperar mais um ano, minha filha precisa urgente de amigos da Igreja, esperar mais um ano?? A Igreja não precisaria de mais impulso pra segurar seus adolescentes? Padre, sinto-me mal em pensar assim, mas a impressão que se tem da Paróquia é que o grupo não é pra qualquer um, se é que o Senhor me entende, acho que isso é coisa de cidade pequena. Minha filha vai procurar a outra Paróquia, pena que é mais distante. Nós mães estamos precisando de ajuda pra criar nossos filhos, não estamos dando conta sozinhas, infelizmente. Perdoe-me se estiver errada no meu raciocínio.


Padre Cido Responde:  Mary, fica difícil para mim, opinar sobre as determinações do grupo de adolescentes de uma paróquia no Sul de Minas. Eu entendo sua preocupação de mãe. Entendo que você dá muito valor a este grupo de adolescentes. Agora, um grupo determinar que só entra adolescentes indicados por outro me parece esquisito. Eu penso que quem dirige o grupo esteja querendo talvez, despertar o espírito missionário dos jovens, cada um deles apresentando um amigo. Esteja também, talvez, garantindo que quem participará do grupo o fará sem a imposição de pai e mãe, o que supõe que não desistirá facilmente de estar presente nos encontros. Em todo caso, converse com o pároco, partilhe com ele suas preocupações em relação à sua filha. E se, por acaso, sua filha tiver amigos adolescentes que participam do grupo, quem sabe eles poderão ajudá-la.
Eu estou pensando cá comigo, que esta paróquia conseguiu um feito extraordinário. Um grupo de mais de 200 adolescentes? Maravilha! Imagino a responsabilidade dos dirigentes! Lidar com a meninada exige paciência, exige disponibilidade, exige cuidado para que as coisas não descambem. Em todo caso, enquanto você não consegue colocar sua filha no grupo, em vez de brigar, aproxime-se mais de sua filha, deixe entendê-la
que você é a melhor amiga que ela pode ter. Peça a Deus muita paciência, muita capacidade de escuta e sabedoria, muita sabedoria para falar as coisas certezas no momento certo. Você vai conseguir! O coração de mãe não desiste fácil. 

Caixa de texto: Dinâmicas

Nome: Sonia Maria - Apucarana / PR

Sonia Maria Pergunta: Pe. Cido, o que são os carismas?                                           

Pe. Cido Responde: Querida amiga, Sonia Maria. Sua pergunta é ótima e nos permite refletir como o Espírito Santo age em nossa vida. A nós que fomos ungidos pelo Espírito Santo no Batismo e na Crisma, o Espírito Santo concede os seus sete dons e concede os carismas.

Os sete dons - Sabedoria, Conselho, Entendimento, Ciência, Fortaleza, Piedade e Temor de Deus, nos são concedidos para a nossa santificação pessoal e para testemunharmos nossa fé como missionários. E os Carismas? Ah! Os carismas também são dons de Deus mas para que os coloquemos a serviço da comunidade, a serviço dos irmãos. Eu penso que nós podemos até entender os carismas como "jeitos pra coisa", facilidade para exercer um serviço à comunidade e aí você tem uma gama imensa de carismas. É o carisma do acolhimento aos pobres, do jeito de lidar com as crianças, de animar a comunidade com o canto, de ler bem a Palavra de Deus, de ser sinal de união entre as pessoas, etc, etc, etc... Você já deve ter ouvido falar, por exemplo, das congregações religiosas, cada uma com seu carisma, como a educação, o cuidado com os idosos, como a missão junto à mulher marginalizada, etc... Você entendeu, minha irmã? Então, lembre-se que os dons do Espírito Santo você já tem e peça ao Senhor que vossa possa usá-los em busca da santidade. E os carisma? Você tem que descobri-los em você e colocá-los a serviço dos irmãos. Um abraço fraterno do padre Cido.

 

Nome: Elisa - São Pedro da Aldeia / RJ

Elisa Pergunta: Gostaria que me mostrasse o versículo da bíblia sobre missa de 7º dia, pois Jesus ressuscitou ao terceiro dia e choraram a morte de Moises por 30 dias que o Sr disse, mais Jesus também falou que após a morte segue-se o juízo, não é assim? enquanto ha vida tem esperança? Ou então não precisamos + adorar a DEUS porque vão rezar por nós? Me explique não me interprete mal, pois eu gostaria de seguir somente o que a Bíblia diz, pois li sobre os crentes de bereia e achei interessante porque tudo o que era falado eles queriam prova na palavra. Um grande abraço, que DEUS te abençoe!

Pe. Cido Responde: Elisa, todas as missas de exéquias da nossa Igreja partem da reflexão sobre a misericórdia de Deus que é infinita. Então, para nós católicos, não há como desesperar-se sobre a salvação de alguém. Por isso mesmo, na missa de sétimo dia, nós confiamos a alma da pessoa que morreu à misericórdia de Deus para que ela descanse nos braços deste Pai que nos criou para ele.

Se você leu algum texto meu sobre o assunto, e eu acho que leu, tanto que está citando uma pesquisa que eu fiz, você deve ter percebido que não é sem fundamentos que nós oramos pelos nossos mortos. O sétimo dia para o povo de Israel era o dia do descanso de Deus após a obra da criação e, por isso mesmo, o dia de descanso para aquele povo guiado por Deus. Por isso nós oramos por quem morreu para que descanse nos braços do Pai. Se a pessoa que passou pelo juízo particular, como você lembrou, foi condenada paciência. Se está na glória de Deus, glória a Deus por isso. Mas se está no purgatório, a nossa prece servirá a ela, para que Deus abrevie o tempo de sua purificação.

Como eu sei que você emendará outra pergunta querendo saber o fundamento bíblico do purgatório, aqui vai. Não há referências bíblicas diretas sobre ele. A Igreja se baseia no livro dos Macabeus (2 Mcb 12,39-45, em que Judas após uma batalha oferece sacrifícios pelos que morreram. E há uma outra referência bíblica, em que lemos que certos pecados não serão perdoados nem nesta vida nem na outra. Reflexão da Igreja: Se há pecados que não são perdoados na outra vida, certamente há pecados que são perdoados nela.

Agora, Elisa, o que é mais bonito e maravilhoso, é que orando pelos mortos, não importando o dia, nós estamos proclamando nossa fé na vida eterna e na ressurreição dos mortos. "Quem crê em mim, diz Jesus, terá a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia.  E para terminar, lembro a você a doutrina da comunhão dos santos. Que comunhão é esta? É a união que existe entre a Igreja militante (nós neste mundo), a Igreja triunfante (os que estão na glória, diante de Deus) e a Igreja padecente (os que se purificam de seus pecados que não lhes tiraram definitivamente a vida da graça). Fique com Deus, minha irmã. E obrigado por participar deste diálogo sobre a fé.

Nome: MARCIA CRISTINA FRAGA PISTINIZI  -  São Paulo /SP

Marcia Pergunta: Pe. Cido, em primeiro lugar quero lhe dar os parabéns pela didática de suas respostas, sempre tão objetivas e claras para nós leigos.
Minha pergunta é a seguinte: tenho claro que Deus tem para cada um de nós um plano e, como Ele é "o princípio e o fim" de todas as coisas, esse plano será realizado independente de nossa vontade; é isso mesmo??!! Mas e o livre-arbítrio que Ele mesmo nos conferiu, 0nde entra??!! Desde já agradeço sua atenção e um grande abraço.

Pe. Cido Responde: Márcia, minha irmã. É claro que Deus tem um plano para todos nós. Este plano divino a nosso respeito não se realizará de qualquer jeito. Sabe por quê? Porque Deus nos propõe um plano. A proposta de Deus para se concretizar, porém, depende de nossa resposta. Eu acho isso maravilhoso, sabe? Eu não sei se foi Santo Agostinho que disse, não sei ao certo quem foi que disse, mas esta frase que eu guardo na cabeça me faz pensar: "Deus que nos criou sem nossa ajuda, não nos salva sem nosso consentimento".

Então, Márcia, na pergunta que você me faz estão em jogo três verbos. Propor, impor e responder. Deus propõe. Ele nunca impõe. Se impusesse, seríamos seus escravos e não filhos. Seríamos pessoas programadas para fazer isso ou aquilo. E a proposta de Deus depende de nossa resposta. Podemos dizer sim ou não a ela.

Não é à toa, Márcia, que uma das definições mais corretas que se dá para o pecado é aquela que o define como um "não" a Deus. Porque este "não" impede a Deus de me fazer feliz. Deus respeita a nossa liberdade, minha irmã. E isto é uma prova de amor também. Ele não quer que o amemos ou aceitemos por pressão, por obrigação. Ele quer simplesmente que experimentemos seu amor e respondamos a este amor com amor. Um abraço fraterno pra você.

Nome: JOSUÉ MEDEIROS -  Sertãozinho /SP

Josué Pergunta: Padre Cido tenho duas perguntas dentro de um mesmo assunto. Quais as diferenças entre nós Católicos e os Protestantes?. Porque a relação entre nós e eles nem sempre é tão amigável?. Muito Obrigado.

Pe. Cido Responde: Josué, antes de falar do que nos diferencia e nos divide, o melhor é falar do que nos une.

Temos a mesma fé em Deus que por amor a nós nos enviou seu Filho Jesus Cristo, nascido por obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria.

Cremos todos, católicos e protestantes, em Jesus Cristo, único mediador entre Deus e os homens e que realizou a nossa salvação por sua morte na cruz e ressurreição gloriosa.

Cremos que a Bíblia, a Palavra de Deus é regra de fé para todos nós e que em Jesus, a Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós.

Cremos todos que o legado fé que temos nos foi transmitido pelos apóstolos que Jesus escolheu e enviou para anunciar o Evangelho, batizar os povos para que todos participem da salvação oferecida por Jesus. Se você, meu irmão, ler o Credo, vai ver que todas as verdades que ali estão proclamadas nos unem, católicos e protestantes.

E o que nos divide:

A certeza que nós católicos proclamamos que Pedro e seus sucessores são sinais da unidade da Igreja. Os protestantes negam esta verdade.

A certeza da presença de Jesus no Santíssimo Sacramento do altar. Para nós é uma presença real e não simbólica.

A certeza do importante papel de Maria na história da salvação. Embora os protestantes entendam este papel, eles não comungam do mesmo amor que tempos pela mãe de Deus. Para nós ela foi virgem antes e depois do parto. Para os evangélicos ela teria tido outros filhos.

O protestantismo, criado a partir das divergências de Lutero com a Igreja do seu tempo, tomou rumos diferentes, está na raiz de inúmeras outras igrejas evangélicas e pentecostais. Houve momentos, sim, em que houve até guerras religiosas. Eu penso, porém, que é chegada a hora de todos ressaltarmos o que nos une em vez de destacar o que nos divide. O que nos divide precisa ser colocado e discutido com carinho, com amor, com respeito. Outra coisa que podemos fazer juntos é orar ao mesmo Cristo que nos ajude a encontrar caminhos de unidade. Fique com Deus, meu irmão . E que ele abençoe você e sua família.

Nome: Manoel Nogueira de Sena - Quixeramobim/CE

Manoel Pergunta: Moro no centro de Quixeramobim e freqüento a Paróquia de Santo Antonio bem pertinho da prefeitura. Aqui nós temos um pároco que sempre celebra as missas. Eu tenho aqui no Ceará alguns parentes e amigos que moram em lugares mais afastados de centro e em alguns desses lugares igrejinhas e capelas ficam fechadas quase o mês inteiro por falta de padres para rezar as missas. Fica muito difícil para eles participarem da igreja. Como isso pode ser resolvido?.

Pe. Cido Responde: Manoel, meu irmão. Este é um dos problemas mais dolorosos da nossa Igreja e está relacionado com a falta de padres. Paróquias imensas, com pequenas comunidades que se reúnem aos domingos, a maioria delas sem a Eucaristia. Há algumas saídas graças a Deus.

Há muitas dessas comunidades que se reúnem e partilham o Pão da Palavra. Já é um caminho muito bonito, porque o Pão da Palavra tem a mesma força do Pão Eucarístico. Tanto que a Igreja pede que o altar da Palavra tenha a mesma dignidade do altar da Eucaristia.

Há muitas comunidades em que os ministros extraordinários da comunhão levam a Eucaristia da Paróquia e aos domingos celebram a palavra e distribuem a comunhão. É uma saída linda também.

Eu já vi comunidades em que a missa na Paróquia é transmitida pelo rádio. No final, o pároco envia os ministros da Comunhão àquela comunidade. Beleza!

Agora, a melhor solução mesmo, Manoel, é fazer a Deus o pedido recomendado por Jes us: "A messe é grande", disse Jesus, "e os operários são poucos. Pedi ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. E eu fico sonhando cá comigo que naquelas comunidades onde se celebra a missa uma vez por mês, uma vez cada dois, três meses, onde se celebra missa às vezes uma vez só por ano, que muitos jovens tomem consciência da falta de sacerdotes e escutem o chamado de Jesus para o sacerdócio. É isso aí, meu irmão. Oremos pela Igreja para que não lhe faltem muitos e santos sacerdotes. Um abraço!

 

Nome: Ariana  -  Jussara/GO

Ariana Pergunta: Oi Padre Cido estou aqui para que você possa me tirar uma dúvida. Eu estou querendo me casar na igreja mas não tenho primeira comunhão eu vivo com meu companheiro ha 5 anos decidimos nos casar para ter a benção de Deus. Você acha que posso ou não e permitido?

Pe. Cido Responde: Ariana, minha querida irmã. Claro que você pode se casar na Igreja. Mais ainda, pode e deve acertar sua situação com Deus. Deus já está abençoando a sua união, pois ela já tem 5 anos. Agora esta união vai ser muito mais abençoada como casamento na Igreja. Então aqui vão alguns conselhos pra você:

1.  Procure o seu pároco. Fale do seu desejo e sonho de se casar na Igreja. Peça a ele que ajude você e seu marido a se prepararem bem.

2.  E não se prepara só para o casamento não, viu? Prepare-se também para a primeira comunhão. Eu estou aqui pensando comigo mesmo que Deus vai entrar de vez na sua vida pessoal e na vida de seu companheiro, vai entrar na sua vida familiar e enchê-la de bênçãos.

3.  E não tenha pressa, viu? Vá devagar, seguindo as instruções do seu pároco. E veja com ele. Se você quiser um casamento mais solene, faça. Se quiser uma celebração mais simples, tudo bem. O importante é provar que os dois são livres e desimpedidos, fazer o processo e pronto.

Deus abençoe você minha querida. E eu garanto: Se você e seu companheiro se prepararem bem para o casamento, vocês vão crescer no amor, na união, na comunhão, na mútua doação. Um abraço carinhoso do Padre Cido.

 

Nome: Bernadete Resende  - São Paulo/SP

Bernadete Pergunta: A Igreja nos ensina que todos nós nos salvamos por Jesus Cristo. Quero saber como interpretar certas palavras de Jesus como "Ide, malditos para o fogo eterno..." "Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus". Grata Bernadete.”

Pe. Cido Responde: Bernadete, é claro que todos nós nos salvaremos em Cristo. Ele veio até nós para isso, para nos salvar. Agora, é preciso que fique claro que os que não se salvarem não é por culpa dele, é culpa nossa. Você já não ouviu dizer que a porta do nosso coração se abre de dentro pra fora?.  Pois é, minha querida irmã. Cristo não arromba portas, não impõe nada. Ele propõe, ele convida. A resposta é nossa.

Por isso, nós nos assustemos com algumas palavras duras de Jesus. Estas palavras são dirigidas a quem não iluminar sua vida com o evangelho, a quem dizer não à sua proposta.

E eu vou dizer a você alguma coisa que eu sempre digo às pessoas: a salvação de Jesus é gratuita, é iniciativa dele, mas nós podemos dizer não. Somos livres. A escritura Deus nos diz com clareza: "Coloco diante de você a vida e a morte, a bênção e a maldição. A escolha é sua. Fique com Deus, minha irmã.

 

Nome: Iran Medeiros  - Buriticupu/MA

Irã Pergunta: Minha pergunta é porque Padre não pode se casar se Jesus deixou dito que não é bom que o homem fique sem mulher? Obrigada!!!”

Pe. Cido Responde: Irã,  pra começo de conversa me deixe dizer a você que na nossa Igreja latina o celibato dos padres começou bem cedo, lá por volta do século 4º. Uma tradição bem antiga, não é mesmo? Mas é bom também lembrar que os padres renunciam ao casamento não porque são incapazes de amar, não porque têm uma visão negativa e distorcida sobre a mulher, não porque entendem que o sexo é uma coisa suja, não porque o casamento atrapalharia o exercício do seu ministério. Se alguém justifica o celibato por um destes motivos que acabei de citar, está passando uma visão totalmente distorcia do plano de Deus sobre a beleza do amor do homem e da mulher, sobre a sexualidade humana e sobre o próprio ministério do padre.

O candidato ao sacerdócio deve ser dotado de uma imensa capacidade de amar a Deus e ao próximo. Quem é incapaz de amar profundamente, desista de ser padre porque vai sofrer e vai fazer muita gente sofrer.

Deus criou o homem e a mulher um para o outro. Diferentes na constituição física e psicológica, eles são perfeitamente iguais na dignidade. Homem e mulher se completam na profunda comunhão de amor que é o casamento, onde “formam uma só carne”, unido o presente e o futuro de suas vidas, unindo seus sonhos, suas esperanças, unindo suas almas, unindo seus corpos. Que pena que haja cristãos que olham para a mulher como fonte de pecado. Um candidato ao sacerdócio que tem tal visão, pode desistir. Não vai dar bom padre.

A sexualidade humana foi um jeito lindo que Deus colocou em nós para tornar o amor humano mais forte, para fazer com que pulássemos para dentro da vida através da mais íntima, mais fascinante, mais profunda e prazeirosa comunhão. A sexualidade humana não é sujeira. Sujeira é o que fizeram com a sexualidade, tornando-a instrumento de exploração e degradação da pessoa humana.

Por fim, Irã, o casamento dos padres não atrapalharia em nada o exercício do ministério. Tanto que na Igreja oriental, o celibato é opcional e há padres casados que exercem o seu ministério com total dedicação e santidade de vida.

Pois é, mas aí vem a sua pergunta: Se nenhuma razão acima justifica o celibato, o que então justifica? Por que ele existe?

Eu repondo. O que justifica o celibato é o desejo de amar de forma bem radical o Cristo e a Igreja. O celibato ao é renúncia ao amor. É o amor assumido até as últimas conseqüências. Não é amor de menos. É amor demais. É renúncia, sim, para uns mais fácil de viver, para outros menos, mas sempre renúncia ao exercício da sexualidade, não porém, ao amor. É renúncia ao amor exclusivo a uma pessoa para amar sem medida a todas as pessoas. Renúncia, sim, porém consciente, livre, alegre.

A Igreja poderá um dia desvincular o exercício do sacerdócio da necessidade do celibato? Poderá sim . Porque se trata de uma lei disciplinar. Nunca deixará, porém, de incentivar e apoiar todos que desejarem renunciar ao amor a uma só pessoa em vista de um amor maior a Deus e aos irmãos. Fique com Deus, Irã. Que ele abençoe você e sua família.

Nome: Maria Zizi Andrade dos Santos - Cidade: Cedro de São João/SE

Maria Zizi Pergunta:“Pe. Cido me chamo Zizi, moro aqui no Povoado São Sebastião, Cedro de São João, interior de Sergipe e meu contato não é propriamente uma pergunta, mas uma orientação.Coordeno um grupo de oração e estou com uma inquietação pois pessoas do grupo tem ido participar de momentos de oração em outra igreja protestante. Essas pessoas são mulheres que foram abandonadas pelos esposos. Elas participam do grupo de oração da RCC, mas mesmo assim dizem que se sentem bem com as orações que os protestantes fazem. Estou ficando desestimulada. Por favor me envie uma mensagem.

Pe. Cido Responde: Maria Zizi. Eu penso que você terá que orientar bem estas suas amigas. Sem fazer guerra religiosa, é preciso mostrar a elas que na vivência da fé nós precisamos ser coerentes. Coerência é assunto sério, minha irmã. Nós devemos respeitar e muito todas as religiões. Este respeito, porém, começa pela religião que eu tenho.

Nós católicos precisamos levar a sério a nossa fé tão bonita, respeitar a nossa Igreja que tem uma  história de mais de dois mil anos anunciando Jesus Cristo. É triste ver católicos procurando outras Igrejas só porque acham bonito o jeito com que os pastores pregam ou os fiéis delas oram.

O respeito por qualquer religião não significa, porém, freqüentar outra diferente da minha. Você quer ver que coisa mais complicada que muitos dos nossos irmãos católicos fazem? Eles vão a centros espíritas, eles vão orar em igrejas evangélicas e pentecostais. Agora convide a um evangélico para participar do seu grupo de oração católico. Veja se ele vai? Vai de jeito nenhum. E nós vamos, sem critério algum.

Maria Zizi, você não tem porque ficar confusa. Diga a essas irmãs que fiquem lá onde elas se sentem bem. Que se decidam. O que não pode é ir lá e cá. É uma falta de respeito aos evangélicos e é uma falta de respeito aos irmãos católicos.

É claro, minha irmã, que nós podemos orar juntos. Quando esta oração, porém, se torna um hábito que nos faz deixa nossas próprias convicções, quando esta oração se torna uma forma de nossa Igreja ser desrespeitada, quando esta oração é uma forma velada de criticar as verdades de nossa fé, é hora de nos decidirmos. Ficar na nossa e proclamar sem medo nosso orgulho de ser católico ou ir de vez para a outra. Vou rezar pra você encontrar as palavras certas para serem ditas no momento certo para essas mulheres tão sofridas que você quer ajudar no seu grupo de oração. Fique com Deus, Maria Zizi.

 

Nome: Maria de Fátima -  Cidade Brasília/DF

Maria de Fátima Pergunta: É pecado recusar o convite para ser madrinha de crisma? (Porque sinto que o convite foi feito por interesse de ganhar presentes, pois a mesma joga muitas indiretas quando quer ganhar alguma coisa principalmente quando está próximo do seu aniversário)

Pe. Cido Responde: Maria de Fátima, você tem duas opções diante deste convite para ser madrinha de crisma. A primeira é dizer não simplesmente a quem a convidou. Certamente você não deixará de querer bem a ela e orar por ela, não é mesmo?.  A segunda opção, eu acho mais bonita. É você pensar o bem imenso que você pode fazer para esta jovem. Se ela a convidou, para lá do interesse em ganhar presentes, há a certeza de que você é uma pessoa religiosa. Pense na beleza de ser para esta jovem uma mãe na fé. Você não é obrigada a dar presentes. Até porque o melhor presente que você poderá dar a ela é a presença constante na vida dela, aconselhando, orientando, ajudando a pessoa a amadurecer na fé.

Sabe, Maria de Fátima, a palavras "padrinho" ou "madrinha" têm a mesma raiz das palavras "mãe" e "pai". Nos sacramentos do Batismo, da Crisma, do Matrimônio, padrinhos e madrinhas são pais espirituais, gente que ajudará o "afilhado" ou "afilhada" a caminhar na fé. Repito, presente é o de menos. Dá quem pode ou quem quer. Que Deus ajude você a discernir bem. Fique com Deus e que ele abençoe você e sua família.

Nome: Olga - Cidade: Guarulhos/SP

Olga Pergunta:

Padre Cido tenho uma dúvida e gostaria que o Senhor me esclarecesse. Qual  a diferença entre a assunção de Maria e a ascensão de Jesus? “

Pe. Cido Responde: Olga, boa pergunta a sua. Ela nos faz ver entender que Jesus é verdadeiro Deus. Enviado pelo Pai ele nasceu da Virgem Maria, cujo ventre puríssimo foi fecundado pelo Espírito Santo. Jesus se fez um de nós, igual a nós em tudo, menos no pecado. E assumindo a nossa natureza humana ele plantou em nosso meio o reino de Deus, anunciou-nos a boa notícia (evangelho) da salvação, morreu na cruz e ressuscitou para nos garantir a vitória sobre a morte, para garantir a nossa ressurreição também.

E Jesus subiu ao céu, voltou para o Pai, de onde tinha vindo. A subida de Jesus ao céu nós a chamamos de ascensão. Sendo Deus ele subiu ao céu de onde tinha descido para realizar a nossa salvação.E a assunção de Maria? Pois é, desde os primeiros séculos do cristianismo os discípulos de Jesus entenderam que a Mãe de Jesus foi levada, ao céu por Jesus. Ela não podia subir ao céu por conta própria, porque não é Deus, como seu filho. Assunção de Maria significa que Jesus a tomou pelas mãos e a elevou aos céus, onde foi coroada Raínha dos anjos e dos santos.  Havia uma questão a resolver. Teria morrido Maria? Alguns estudiosos entendiam que ela morreu e Jesus a ressuscitou para levá-la ao céu.

Outros estudiosos afirmavam que Maria dormiu e foi levada ao céu por Jesus. Falavam então da “dormição” de Maria. Quando em 1950, O Papa Pio 12 declarou o dogma da Assunção de Maria ele não entrou na questão se Maria tinha morrido ou dormido. Ele apenas declarou ser verdade de fé que a Mãe de Jesus, ao terminar seus dias neste mundo, foi levada aos céus em corpo e alma por seu Filho Jesus.Penso que agora você já sabe a diferença entre ascensão de Jesus e assunção de Maria. Jesus subiu ao céu: ascensão.

Maria foi levada ao céu por Jesus: assunção.A assunção de Nossa Senhora e sua glorificação no céu como rainha dos anjos e dos santos, compõem o quarto e o quinto mistérios gloriosos do rosário. Por isso no dia 15 de agosto celebramos dois títulos belíssimos de Maria: Nossa Senhora da Assunção e Nossa Senhora da Glória. Um abraço, minha irmã. Deus abençoe você e sua família.

Nome: Eduardo Paixão - Cidade: Goioerê/PR

Eduardo pergunta: A pessoa que não vai a Igreja, não é religiosa está sempre nos bares saboreando o vicio do álcool só pelo fato de ser amigo pode batizar uma inocente criança? eu vejo isto como um grande pecado.

Pe. Cido Responde: Eduardo, meu irmão. Você está carregado de razão. Os pais de uma criança devem ter cuidado na escolha dos padrinhos. Os critérios de parentesco, amizade ou gratidão ou, homenagem a alguém importante, jamais deveriam contar na escolha dos padrinhos. Eu digo a você sem o menor constrangimento: eu tenho amigos muito queridos, tenho parentes que eu estimo demais, tenho pessoas importantes no meu relacionamento, mas jamais os chamaria para padrinho de um filho meu. Por uma única razão: eles não têm fé. Ser padrinho, ser madrinha, é ser pai e mãe na fé. Os padrinhos assumem solenemente a responsabilidade de ajudarem o afilhado ou afilhada a crescerem na fé. Como poderá fazer isso alguém que vive nos bares, que não freqüentam uma igreja, que não vivem a sua fé, não é mesmo?.  Mas, preste atenção, meu irmão. A culpa não é de quem é escolhido ou convidado a ser padrinho. A culpa é de quem escolhe.
Eu penso, Eduardo, que é um ato de amor escolher bem os padrinhos para os filhos. Na verdade convidar alguém para ser padrinho ou madrinha de um filho é dizer a ele e a ela: Vocês querem ser pais conosco?. A palavra "compadre", "
comadre" tem este sentido: Ser pai com, ser mãe com. E digo mais: ser compadre, ser comadre, é muito mais do que ser amigo, ser amiga, visitar de vem em quando uns aos outros. É cobrar mesmo, cobrar dos pais a educação religiosa do afilhado, da afilhada.
Você diz ser um pecado, aceitar ser padrinho sem estar preparado. Eu digo a você que é uma falta de consciência da responsabilidade que se assume. Fique com Deus, meu irmão. Que ele abençoe você e sua família.

 

Nome: Regiane Picinin - Cidade: São Paulo/SP

Regiane pergunta: Padre, minha dúvida é: moro com meu companheiro à 5 anos, gostaria oficializar minha união na igreja católica, mas não sou casada no civíl, é necessário que seja casada no civíl para que possa realizar a cerimônia no religioso, tenho uma declaração marital de nossa união.

Pe. Cido responde: Regiane, que bom que você queira legitimar sua união com o casamento religioso. Tenho certeza que já se trata de uma união abençoada, uma vez que ela já completou cinco anos. O sacramento do matrimônio vai, com certeza, fortalecer o vínculo de amor que os une. Só para lembrar a você, vale dizer que os sete sacramentos da Igreja se dividem em sacramentos de iniciação, Batismo, Eucaristia e Crisma, sacramentos da cura, Penitência e Unção dos enfermos, e Sacramentos do serviço, Matrimônio e Ordem. O Matrimônio está a serviço do amor e da vida.

Agora, Regiane, você está me lembrando que a Igreja exige o casamento no civil. Esta exigência está relacionada com a sacralidade do matrimônio e da família. Pode acontecer, e acontece, que há pessoas mal intencionadas que se casam no civil com uma pessoa, no religioso com outra, e novamente no civil com uma terceira, uma vez que o divórcio existe em nosso país. Daí a exigência da Igreja no sentido de evitar esse abuso e de inibir uma espécie de poligamia.

Eu creio, porém, Regiane, que vocês dois, tendo um compromisso formal que marca a união de vocês, não precisarão se casar no civil. Procurem a paróquia onde vivem, conversem com o pároco, falem de seu desejo de casar-se no religioso. Ele, como pastor, certamente irá orientá-los da melhor forma possível. E parabéns pelo sonho de casar-se na Igreja que vocês dois alimentam. Qualquer dificuldades voltem a escrever. Fique com Deus e que ele abençoe você e seu marido.

Nome: Marilda Souza  - Cidade: Itapevi/SP

Marilda Pergunta: O que eu Marilda Souza era na minha vida passada eu tenho curiosidade em saber o senhor poderia me responder se possível obrigada?

Pe. Cido Responde: Marilda, minha irmã querida, eu penso que você anda dando ouvidos às bobagens que se divulgam por aí de vidas passadas. Esta história de "vida passada" é uma forma disfarçada de reforçar as teses espíritas. E espiritismo e cristianismo, minha irmã, não combinam de jeito nenhum. Sabe por quê? Porque o cristianismo entende que cada pessoa que vem a este mundo não tem passado. É criação de Deus. Seu passado começa na sua concepção, no encontro do espermatozóide masculino com o óvulo feminino e pronto. Seu presente é o aqui e agora de sua vida. E seu futuro é a eternidade junto de Deus, dependendo de suas escolhas no presente. E tem mais: Jesus afirmou com todos os "esses": Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim terá a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia". Jesus não disse, pode conferir nos Evangelho, que passaremos por sucessivas reencarnações para nos purificar, até nos tornarmos, sei lá, um espírito puro.

A nossa purificação consiste, e é Jesus que nos afirma, no aceitar Jesus como Senhor e mestre de nossa vida. Sabe Marilda, se levarmos a ferro e fogo, as teses espíritas negam a divindade de Cristo. Para o espiritismo Jesus não passa de um espírito puro que passou também por diversas reencarnações até se purificar. Ora, por favor! Nós cristãos cremos em Jesus, Verbo de Deus encarnado, segunda pessoa da Santíssima Trindade, Deus todo-poderoso que quis ser Deus conosco, assumindo a nossa humanidade para elevá-la até às alturas. Jesus para nós é o rosto divino do homem e rosto humano de Deus.

Além disso, Marilda, até a forma de nós católicos vivermos o amor fraterno difere daquela dos espíritas. Nós amamos o próximo porque vemos nele o rosto sofrido do Cristo, vemos nele o próprio Jesus que disse: "Tive fome, sede, estava nu, na prisão, e vocês mataram minha fome, saciaram minha sede, foram me visitar... Já o espiritismo nos pede a caridade em vista de uma próxima reencarnação mais feliz.Minha irmã Marilda.

Você não teve vidas passadas. Você nasceu novinha, única, do coração de Deus. Viva a vida feliz, porque foi para ser feliz que Deus a criou. Lembre-se, porém, que a eternidade feliz, a salvação que você sonha e quer, depende da forma que você viver o tempo de vida que lhe está reservado pelo Senhor. Você é muito amada por Deus. Diga isto pra você mesma: Eu sou uma filha amada de Deus e vou consagrar minha vida a ele para ter a felicidade plena e eterna com ele na eternidade, após a minha morte e após a ressurreição final, na segunda vinda de Cristo.

Nome: Marcos Camarotte  - Cidade: Londres / Inglaterra

Padre Cido em uma sociedade com tanta miscigenação, e com tantas religiões diferentes como e a que nós católicos na Inglaterra convivemos, como podemos evangelizar sem que nos tratem mal dizendo que a igreja já pecou muito na Europa e por isso não acreditam mais nos católicos ?

Padre Cido Responde: Marcos. Sua pergunta é muito difícil de responder. Ela nos coloca um desafio, o de anunciarmos Jesus Cristo, de levar a esta sociedade a boa-notícia de Jesus. A dificuldade aumenta mais ainda quando nos falam dos pecados da Igreja. Eu penso que não devemos esconder estes pecados. Somos mesmo povo santo e pecador. Mas a quem se refere aos pecados de nossa Igreja podemos lembrar as suas virtudes. Nossa Igreja deu a mundo uma legião de homens e mulheres de uma santidade de vida tão grande que eles são reconhecidos dentro e fora dela.

 Lembremos aos críticos de nossa Igreja a grandeza dos apóstolos, entre eles, Paulo, aquele que teve uma experiência tão forte de Cristo que saiu pelo mundo afora proclamando que ele é o Senhor e dizendo que para ele viver era Cristo. Lembremos aos críticos da Igreja a infinidade de mártires, homens e mulheres que enfrentaram a espada e as feras e deram a vida por Cristo. São de nossa Igreja mulheres e homens maravilhosos como Agostinho, Jerônimo, Tomás de Aquino, Francisco de Assis, Tereza DÁvila, Inácio de Loyola. Thomas Morus, Madre Teresa de Calcutá, João Paulo 2º. É uma Igreja pecadora? Claro que é. Ela é feita de homens. Mas é uma Igreja santa, porque foi instituída por Cristo.Afora, Marcos, lá onde as palavras não convencem, sabe o que vai convencer? O nosso TESTEMUNHO DE VIDA.

Escrevi com letras maiúsculas de propósito. Esta sociedade vazia de valores, esta sociedade marcada pelo culto ao dinheiro, ao prazer, esta sociedade que discrimina pessoas pela cor da pele, pela cultura, pela opção sexual, por tanta coisa, pode redescobrir Cristo e seu evangelho se nós que cremos formos homens e mulheres apaixonados pelo Senhor.

O nosso sorriso, a nossa capacidade de escutar o outro, a nossa serenidade na tribulação, a partilha do que temos e somos com quem precisa, tudo isso, Marcos, vai calar mais fundo na alma das pessoas do que nossas palavras. Se alguém se sente incomodado ou machucado pelos pecados de nossa Igreja, peçamos perdão por esses pecados e mostremos o seu rosto mais bonito pela nossa vida, pela nossa esperança, pelo nosso amor fraterno.Sabe, Marcos, evangelizar numa realidade complexa como a de Londres, onde você vive, como a de São Paulo, onde vivemos, não é fácil mesmo. Que nossa vida, então, nossos gestos, nossas atitudes, revelem a quem está perto de nós que somos felizes por conhecer, aceitar, viver e testemunhar o Cristo, rosto humano de Deus e rosto divino do homem.

Este é um começo de reflexão, Marcos. Talvez não responda inteiramente o seu questionamento, mas eu não vejo outro caminho. Sejamos discípulos encantados por Cristo e apóstolos ardorosos. Um abraço fraterno, meu irmão.

Nome: Ezequiel de Araújo  - Cidade: Cabreúva / SP.

Ezequiel Pergunta: Padre Cido O que o Sr. pensa sobre o recente acontecimento envolvendo uma declaração dada por Dom Dimas (Secretário da CNBB) sobre aborto ao Jornal o Estado de São Paulo.

Pe. Cido Responde: Ezequiel, Dom Dimas foi perfeito no manifestar a posição da Igreja em relação ao aborto. Esta questão é inegociável para a Igreja. Quem defende a descriminação do aborto, quem admite a possibilidade do aborto, quem prega o aborto, quem coloca no seu programa de governo ou na sua plataforma política a possibilidade do aborto não pode receber o voto do católico. Para a Igreja não há negociação quando o assunto é o aborto.

Acontece, porém, Ezequiel, que todos os candidatos dão uma desculpa esfarrapada para agradar gregos e troianos. Há quem afirme que, se eleito, não poderá governar apenas para uma parcela da população. Trata-se de uma desculpa esfarrapada. Porque ao descriminalizar o aborto estará fazendo o jogo dos que o querem. E há quem, para enganar o eleitor, fala em plebiscito, como se um crime pudesse ser legitimado pela vontade popular.

É triste, Ezequiel, muito triste, saber que tramitam no Congresso, à espera de votação, projetos de lei que chegam ao cúmulo de garantir o aborto em qualquer tempo de gravidez. Isto é indecente, é imoral. No estágio de vida mais frágil, que é a gestação, se nega à pessoa, sim, porque o feto em gestação já é pessoa, o direto de nascer.

Nós católicos, portanto, temos que incomodar os candidatos a Câmara e ao Senado, posições bem definidas em relação ao aborto. E temos que exigir dos candidatos á presidência um posicionamento claro no que se refere ao aborto, porque será o presidente que irá sancionar todos os projetos de lei aprovados pelos deputados e senadores.

E para aqueles que entendem que a Igreja deveria ser mais flexível em seu posicionamento, para aqueles que argumentam que ela irá perder cada vez mais fiéis por conta disso, a resposta não pode ser outra: Ela não pode jogar para a torcida, quando se trata da defesa da vida. Ela se guia pelo quinto mandamento da Lei de Deus: "Não matarás!"

E tem mais: Existe um princípio lindo que é preciso iluminar nossa consciência de católicos. É o princípio do "sentire cum ecclesia", do "sentir com a Igreja". Quem se afirma católico mas não "sente com a Igreja", se coloca fora dela. Por isso mesmo, grupos que se afirmam católicos e defendem o aborto estão totalmente fora da Igreja, se excomungaram dela, não podem ser chamados de católicos. Que Deus ilumine os rumos do nosso País nesta questão tão delicada.

Só mais uma coisa, Ezequiel: Tomemos consciência de que ser católico é estar ao lado da vida, do nascer ao seu ocaso natural. Por isso a Igreja defenderá sempre o direito de nascer e o direito de viver com dignidade. Um abraço fraterno, meu irmão.

Nome: Magno José Luiz - Cidade: São João Del Rei/MG

Magno Pergunta: Sou Católico praticante,faço os cursos de Teologia por correspondência do saudoso e grande D.Estevão Bitencourt. Gostaria de fazer uma pergunta: Por que nos Evangelhos Jesus nunca chama a Bem Aventurada Virgem Maria de "mãe".

Pe. Cido Responde: Pergunta curiosa esta sua, meu irmão Magno. É verdade isso. Mas se Jesus não a chama diretamente de "mãe" os evangelistas não deixam dúvidas sobre a maternidade divina dela. Só para lembrar, leia o início do evangelho de Lucas.

"Conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus!" (Lc 1, 31)

"Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre" (Lc 1, 42)

"Como mereço que a Mãe do meu Senhor me venha visitar?"

Agora, se é verdade que Jesus se dirige a Maria como "mulher", é preciso levar em conta valores culturais na época em que só Evangelhos foram escritos e mais ainda, lembrar que os Evangelhos não foram escritos para exaltar Maria. Foram escritos para falar de Jesus, a grande e boa notícia de Deus para a humanidade. Ao falar de Maria os evangelhos destacam sua maternidade divina, sua preocupação de mãe com seu divino Filho, sua intimidade com ele a ponto de fazê-lo antecipar seus milagres, sua presença na vida pública dele, sua presença dolorosa junto à cruz, sua presença de discípula no Dia de Pentecostes.

E é bom que se tenha em conta ainda que o chamá-la de "mulher" não é falta de respeito. Quantos de nós diante de alguma situação, nos dirigimos a nossa mãe como "mulher". Maria, portanto, é "mãe" de Jesus, sim. E é mão de Deus, mesmo considerando que a criatura não pode ser mãe do criador. O criador quis assim, e para ele, que é Deus, nada é impossível.

Fazer deste detalhe uma forma de menosprezar a missão de Maria no desígnio salvífico de Deus, como fazem alguns grupos evangélicos, é desconhecer o imenso carinho de Jesus por sua mãe, antecipadamente escolhida pelo Pai para esta missão de o Filho por obra do Espírito Santo. E se alguma dúvida ainda pudesse ficar, a preocupação de Jesus com sua mãe lá no calvário, confiando-a ao discípulo que ele amava, deixa claro o amor dele por sua mãe.

 

 

Nome: Fernando  - Cidade: Recife/PE

Fernando Pergunta: Padre sua benção!. Nosso Senhor Jesus Cristo após a Ressurreição aparece às Santas Mulheres , e quando estas mulheres tentam tocá-lo Ele impede dizendo que ainda não subiu ao Pai, todavia, quando aparece a Tomé manda Tomé tocar na chaga Dele. A dúvida é no sentido porque Nosso Jesus não podia ser tocado naquela ocasião, como explicar então em relação a São Tomé . Obrigado.

Pe. Cido Responde: Deus abençoe você Fernando.  Você têm razão na observação. Parece que estamos diante de uma contradição. É bom, porém, que você note a diferença de atitudes dos dois discípulos, de Maria e as santas mulheres, e de Tomé. Maria e as santas mulheres não colocaram dúvida alguma sobre quem estava ali com eles. Não era o jardineiro, era o mestre Jesus: "Maria, diz Jesus!" "Mestre! Diz Maria. Após a certeza de que era Jesus, porque a chamava pelo nome, Maria, simples corre ao seu encontro para abraçá-lo. E Jesus, para mostrar que era verdadeiro homem mas também verdadeiro Deus, o Filho que estava morto e ressuscitou, diz a ela que não se aproxime dele.  E Tomé? Tomé, não viu o mestre. Tomé apenas ouviu o relato dos discípulos. Ele queria ver, tocar, sentir o mestre que certamente ele amara, mas que também ele vira pregado na cruz, morto, sepultado.

Textos como estes e tantos outros, Fernando, nos fazem entender que os evangelistas tinham propósitos bem definidos a escreverem seus evangelhos. Eles queriam salientar a missão de Jesus. Ele é o Deus encarnado, que deve se ocupar das coisas do Pai, que se fez obediente até a morte, que veio e após sua missão volta ao Pai. Ele é Deus encarnado no nosso meio, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Mas também, para mandar um recado aos que iriam ouvir o testemunho dos apóstolos, Jesus diz a Tomé: "Veja, eu ressuscitei mesmo. Sou eu! Toque aqui. Veja que, embora vencedor da morte eu trago ainda as marcas do sacrifício da cruz. Dois textos, duas intenções diferentes que se unem numa só: a de provar que Jesus é o Filho de Deus que veio ao mundo e deu sua vida por nós. São dois textos lindos que nos relatam dois exemplos de adesão ao Cristo: a adesão apaixonada de Maria, a adesão ainda cheia de dúvidas de Tomé. As duas nos fazem questionar a nossa própria fé. Fiquem com Deus, amigos, que ele abençoe você e seu lar.

Nome: Irani - São Paulo/SP

Irani Pergunta: Sinto-me muito enfraquecida, confesso que ultimamente quando comungo é como se Jesus me ignorasse. Quando nosso sacerdote passa com Jesus, não é diferente.
O pior não consigo me abrir com meu sacerdote que por sinal,é um pai espiritual maravilhoso.
O que fazer?

Pe. Cido Responde: Irani, minha irmã. Você está incorrendo num erro muito comum entre os homens e mulheres de fé. Você confunde sentimento com fé. Isto é muito comum. As pessoas acabam afirmando: "Como eu não sinto nada, minha fé não existe". "Como eu não chorei naquela palestra, fica claro que eu não tenho fé". "Como eu não desmaiei naquele encontro e não tive o tal repouso no Espírito, estou longe de uma fé verdadeira!" Ora, faça-me um favor, Irani. O fato de você frequentar uma comunidade, ir à missa, querer crescer na fé, já é uma prova de que você tem fé.

Esta secura espiritual que você sente vai acontecer muitas vezes, minha irmã. Você vai viver aquela sensação ruim de estar perdendo tempo, a sensação de que Deus é surdo, ou ignora você, a sensação de que não vale a pena, porque você não experimenta nenhum retorno para tudo que você investe na vivência de sua fé.

Felizmente também acontecerão momentos lindos em que Deus vai se deixar tocar por você, vai falar ao seu coração, vai envolver você com uma ternura imensa, vai gritar pra você que ele está do seu lado. O mais comum, porém, é você experimentar esse vazio imenso que incomoda, que angustia, que faz a gente querer desistir. Não desista porém. Jamais! E alegre-se! A maioria dos santos viveu esta angústia, esta sensação de ser ignorada por Deus. Não desistiram, porém. Por isso eles são santos e, hoje, são venerados por todo o povo de Deus.

Irani, você, eu, tantos outros irmãos, todos os que queremos viver intensamente a nossa fé, vamos de vez em quando cair na tentação de desistir, diante do aparente silêncio de Deus. Calma! Deixemo-nos iluminar pela luz do Espírito de Deus, deixemos que o fogo divino aqueça nosso coração e que o sopro de Deus empurre o barco de nossa vida. Fique com Deu, minha irmã.

 

Nome: Ricardo - São Paulo/SP

Ricardo Pergunta: Padre Cido, gosto muito do programa "Bom dia Povo de Deus". Acho que verdadeiramente o senhor tem o dom da palavra e nos transmite a fé em Cristo de um jeito muito puro. Por isso, gostaria de fazer uma pergunta: o senhor celebra casamentos? Sei que o senhor é muito ocupado com seus afazeres diários, mas me sentiria muito honrado se o senhor pudesse celebrar o meu casamento, que se dará em março do ano que vem. Desculpe contatá-lo através desse mural, mas foi o único canal que encontrei. Muito obrigado.

Pe. Cido Responde:  Ricardo, meu bom amigo. Claro que eu celebro casamentos. Faz parte do munus sacerdotal do padre, celebrar os sacramentos, sinais eficazes da graça de Deus. Agora, Ricardo, o problema é que cada pároco tem jurisdição sobre o território de sua paróquia. Para um padre celebrar um casamento numa paróquia que não é a sua ele precisa da licença do pároco onde o casamento será realizado. Além disso, Ricardo, é direito dos paroquianos se casarem com seu pároco. De forma que, sendo eu pároco, embora possa fazer seu casamento, é preciso que tudo concorra para dar certo: 1. que o pároco da paróquia onde será realizado seu casamento permita; 2. Que eu esteja livre no dia do seu casamento, isto é, que em minha paróquia não haja outro casamento. Em todo caso, meu irmão, o padre que vai realizar seu casamento não importa tanto. Até porque o sacramento do matrimônio é o único sacramento cujo ministro não é o padre, são os próprios noivos. O padre no casamento é apenas uma testemunha que assiste o "sim" dos dois e os abençoa em nome do Cristo e da Igreja. Vá um dia desses à rádio 9 de Julho para a gente conversar mais. Um abraço fraterno do Padre Cido.

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Carlos Alberto Pergunta: Sou ouvinte do seu programa na radio 9 de Julho e gostou muito da sua oraçãodo Pai Nosso. Gostaria de saber se os vigários recebem instrução sobre relação
humana em sua preparação.

Pe. Cido Responde:  Carlos, o seminário é tempo e espaço onde os futuros padres aprendem a se relacionar com Deus e com os irmãos. Os seminaristas não aprendem somente teologia, palavra que significa "discurso sobre Deus". Eles mergulham fundo nas verdades da fé. Eles têm momentos de retiro, de oração, de experiência com Deus. Eles também são enviados às paróquias para um contato maior com o povo de Deus. Talvez seja isso que você quer dizer quando falar em relações humanos. Sabe, Carlos, aqueles que Deus chama e escolhe para o sacerdócio, são chamados a ser, por isso mesmo, homens de Deus. Antes, porém, de serem "de Deus", eles têm que ser "homens" no sentido pleno da palavra, isto é, pessoas que desenvolvem em si, as virtudes cristãos e as virtudes humanas do carinho, da atenção, do respeito, da boa educação, etc.Eu sei, Carlos, que há padres extremamente duros, severos, às vezes até mal educados com o povo de Deus, chegando a passar a impressão de que se esqueceram que foram chamados a imitarem Jesus, o Pastor dos pastores, aquele que não tinha tempo para si mesmo, porque era tudo para os que o procuravam. Mas contam,-se nos dedos os padres assim. A imensa maioria dos padres imitam Jesus, e dão a sua vida pelas ovelhas.Oremos sempre pelos padres, viu Carlos? Eles precisam de nossa atenção, do nosso carinho, do nosso respeito, porque foram chamados a serem tudp para os outros, a imitarem Jesus, que veio para servir e não para serem servideos. Fique com Deus. Que ele abençoe você e sua família. 

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