"Ide e pregai o evangelho a toda humanidade"  (Mc 16,15)

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Em defesa da fé

Estamos vivendo, nestas últimas semanas, um ataque midiático contra a nossa Igreja Católica. Por muitas vezes a Igreja foi perseguida ao longo da história.

 Alguns ousam dizer:

- Este será o fim da Igreja Católica? E a resposta é NÃO. “As portas do inferno nunca prevalecerão contra ela”. Mt 16,18

Será que os grupos e as mídias que estão tão ocupados em ver os limites da Igreja se preocuparam alguma vez em falar dos belos trabalhos da Igreja, das nossas comunidades e das nossas famílias Católicas? Não será justamente por que a Igreja carrega a maior riqueza que existe? A mensagem e os valores ensinados por Jesus Cristo! Mensagem e valores estes que incomodam as estruturas sociais injustas. A impressão que me dá é o desejo de algumas pessoas e grupos em desmoralizar a Igreja, para depois dizer; “não a escutem”. Vejamos alguns exemplos concretos no que se refere ao Brasil:  A Igreja organizou juntamente com outros grupos a campanha para a não reeleição de candidatos de ficha suja;

- A Igreja que neste ano de forma mais intensa nos propõe o Tema da CF, “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro. A Igreja Católica tem a sua voz e a sua importante influência na sociedade.

É claro que nos entristecemos por esses fatos onde aparecem ‘padres envolvidos em casos de pedofilia’. A Igreja já tomou posturas firmes para que os culpados sejam ouvidos e julgados civilmente, e estão afastados do ministério sacerdotal. Agora eu pergunto; você conhece o padre da sua paróquia? Veja quantos homens dedicados e comprometidos com a causa do Reino de Deus, então diga: o meu padre não fez estas coisas. Precisamos ter cuidado quando acusamos alguém. Este triste problema da pedofilia infelizmente está presente em diversas áreas da nossa sociedade, em que pessoas de qualquer profissão ou até mesmo pais de família estão envolvidos.

             A Igreja não é o padre, a Igreja somos todos nós! E juntos fazemos a diferença! Vamos lá! Vamos nos unir em nossas comunidades, em família e defendamos a nossa fé católica. Somos pessoas convictas da nossa fé e, portanto, não nos deixamos levar por maldosas ideologias. Sabemos que a Igreja é de Jesus Cristo e é pelo amor e gratidão que temos para com Ele que nós unimos as nossas mãos.

 Pe. Ramires Henrique de Andrade,nds

“ Anunciar por palavras e obras”

Jesus anunciava e curava

Jesus permanece sempre o modelo a ser imitado, o caminho a ser seguido, a verdade a ser aprendida e a vida a ser vivida. Normalmente citamos palavras de Jesus. Mas Ele anunciava por palavras e ações. Por exemplo: um milagre não era só a solução de um problema, mas o anúncio de uma verdade. Um atitude de Jesus de estar orando a sós é um ensinamento e um modelo a ser imitado. Para o caminho espiritual é muito importante ver a conjugação das palavras, dos gestos, das atitudes para que seja completo.

O grande defeito, a meu ver, do ensinamento espiritual é seguir a tendência intelectualista da compreensão da verdade. Os santos pensavam com as mãos. Jesus nos dá esse modelo: anunciava e curava. Estava voltado para a pessoa humana em sua totalidade. Quando cura o paralítico que foi descido pelo teto, Ele perdoa e depois cura. A cura significa o que acontece com o perdão (Lc 5,24).

Suas palavras eram seguidas de milagres que as confirmavam ou explicitavam. Dava a entender que a vida cristã é um conjunto de realidades que partem da pessoa e não somente de idéias sobre o ser humano. Tiago é muito explicito nessa compreensão da fé. O texto de Paulo “o justo viverá da fé” (Rm 1,17), levou a uma compreensão de que basta a fé para estarmos salvos.O próprio Paulo, em Gálatas 5,6 ensina “a fé agindo pela caridade”. João, em sua primeira carta, afirma: este é o seu mandamento: crer no nome de Seu Filho Jesus Cristo e amar-nos uns aos outros (1Jo 3,23-24).

Tiago alerta contra a idéia de uma fé “pura”: “Se alguém disser que tem fé, mas não tem obras, que lhe aproveitará isso? [...] Assim a fé, se não tiver obras, será morta em seu isolamento” (Tg 2,14.17). O que Paulo condena é a prática exterior da lei. A carta de Tiago não aparece em muitas bíblias da reforma protestante. Um dos motivos é a afirmação de Tiago que nega a teoria do fundador de que só a fé diz.

Redenção integral

A vida apostólica, que alimenta a espiritualidade, deverá pensar numa redenção da pessoa como um todo e em suas circunstâncias. Às vezes podemos dar o testemunho de vida silencioso nos ambientes hostis. Do testemunho de vida se passe ao testemunho da palavra. O testemunho de vida será acompanhado da obra da caridade, que chamamos também ação social, procurando dar às pessoas as condições de vida de que necessitam, inclusive o envolvimento na política, mesmo partidária.

Certamente um programa de partido para o cristão deverá responder ao Evangelho. Os cristãos devem estar em todos os setores da vida social, política e econômica. Por que deixar nas mãos de inescrupulosos o destino de um povo? Triste é ver como cristãos e, particularmente católicos, nessas situações agem como se não tivessem fé e inclusive envolvendo os santos e a Virgem Maria para tampar suas falcatruas. A espiritualidade só será coerente se sujar as mãos com as necessidades das pessoas concretas. Vejamos como fizeram os santos?!

Doar-se totalmente

O grande gesto que se torna palavra evangelizadora da redenção é a doação total de si. Doar coisas é magnífico. Doar-se é divino. Paulo afirma de si mesmo:”Para os fracos fiz-me fraco a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns a todo custo” (1Cor 9,22). Jesus “esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana” (Fl 2,7). Sua encarnação, vida e morte, foram doação total. Por isso Deus o exaltou (9). Esse é o caminho de quem crê em Jesus. Deus não quer coisas. Quer a nós.

Padre Luiz Carlos de Oliveira, redentorista

Santuário Nacional de Aparecida – SP

A Todas as mulheres, as mulheres mães e as que fazem o papel de mães

Neste site da Família Missionária não poderia faltar uma palavra de reconhecimento e incentivo, para esta figura simpática, que junto com a da amizade; traduz de forma clara os sinais do amor de Deus no mundo.

A palavra de Deus na liturgia destas últimas semanas do Tempo Pascal nos recorda e insiste pelo evangelho de João sobre a primazia do AMOR na vida dos seguidores de Cristo. Assim como a luz do Círio Pascal nos recorda nos templos a presença do Cristo Ressuscitado; as boas atitudes e obras dos seguidores do Ressuscitado; devem brilhar fazendo-o presente em todas as realidades do mundo.

De fato este mandamento do Amor (núcleo fundamental do ensinamento de Cristo) é apresentado de forma insistente e variado na Palavra do Senhor nestes dias. E nada é tão necessário para quem se diz cristão do que entrar na dinâmica do Amor de Deus.  Primeiro experimentar o amor de Deus, deixar-se amar por ele; para depois amar como Ele. Sentir a força do Amor de Deus em nós é a condição para amar plenamente e viver como Deus quer com uma Alegria Plena.

Este é nosso pedido/presente para nossas queridas mães. O fazemos através da Virgem de Fátima para cuja festa a Igreja se prepara. É da mensagem de Fátima a conhecida expressão: “meu coração triunfará”. Que o Amor do Coração do Filho de Maria esteja presente no coração de todas as mães. Na pessoa de D. Hilda, mãe do casal coordenador do site, um beijo no coração de todas as mães.

Pe. José Florêncio Blanco

                                                                    Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer

                                                       Arcebispo de São Paulo                                         

 

São Paulo, 11.05.2011

Repúdio à chacina de seis pessoas em SP

Em nome da Arquidiocese de São Paulo,  lamento e manifesto minha preocupação por  mais uma chacina, ocorrida na zona norte da cidade  na madrugada desta terça-feira, dia 11 de maio, e que ceifou brutalmente a vida de seis moradores de rua. Manifesto o meu repúdio mais veemente a este ato de violência contra a dignidade da pessoa e sua vida.

Este ato criminoso soma-se a tantos outros semelhantes, ocorridos recentemente em São Paulo e em outras cidades do Brasil. Infelizmente, a falta de esclarecimento de uma ação criminosa pode contribuir para o surgimento de outra semelhantes,  por deixar no ar certa presunção de impunidade. Confio na ação pronta e eficaz das Autoridades competentes para que  esta nova chacina seja esclarecida, os culpados prestem contas à justiça e sejam punidos no rigor da lei.

A ocasião é oportuna para uma reflexão sobre a situação de fragilidade e de risco a que estão expostas as pessoas que usam as ruas da cidade como moradia. Além de toda a precariedade de sua condição em relação à alimentação, saúde, moradia e segurança, os moradores de rua também vivem numa situação de grave vulnerabilidade social, expostas ao assédio do mundo das drogas e do crime organizado.

São necessárias, pois, políticas públicas específicas e eficazes, voltadas para esta parcela da população de São Paulo. Como pode nossa cidade conviver distraidamente com um problema social tão grave?! Não é questão que possa ser resolvida apenas mediante ações da Segurança Pública, ou da Assistência Social; ela demanda igualmente a gestão do trabalho, da moradia, da saúde e da educação.

Faço minha a dor dos familiares e parentes das vítimas e rogo a Deus pelo seu conforto. Faço também votos que ações preventivas de Segurança Pública, bem como uma metodologia eficaz de integração social dos moradores de rua possam contribuir para que não se repitam no futuro ações de criminalidade, que envergonham  nossa sociedade e colocam de joelhos até mesmo o  Estado diante da lógica da violência, incapaz de assegurar a proteção da pessoa e a aplicação da justiça.

Santo Antônio de Santana Galvão, que viveu nesta cidade, amou-a e serviu aos pobres e desassistidos, interceda por nossa cidade e seja para todos os seus habitantes  exemplo e estímulo na construção de um convívio social solidário e pacífico.

Card. Dom Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

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1º Congresso Arquidiocesano de leigos

Toda pessoa batizada é chamada a participar da construção do 1º Congresso Arquidiocesano de Leigos. Na atual fase do Congresso acontecem os encontros nas comunidades, nas paróquias. Vejo esse momento como um dos mais importantes do 1º Congresso: é a etapa de conscientização da grande parte dos Leigos que mora, ou que trabalha nas áreas onde estão localizadas as comunidades, as paróquias.

É a partir das discussões nesses grupos que chegaremos ao Documento final do Congresso. Daí a importância que tem esta fase do Congresso. Em junho começam as Oficinas em nível de Região da Arquidiocese de São Paulo.

Um número considerável de Leigos tem demonstrando interesse e está participando dos encontros. Entretanto, em algumas comunidades ainda se faz necessário o “despertar” dos Leigos para esse momento de relevância da Igreja.

Fica o desafio para os Leigos que atuam e os que não estão inseridos em nossas Comunidades a assumirem sua real importância no destino da história, pois todos constituímos a Igreja de Jesus Cristo. Afinal, a história é feita por todos nós: uns tocando o piano e outros carregando o piano.

Os que tocam o piano são os que dão as diretrizes, a forma e o jeito no qual a sociedade deve caminhar. Os que carregam o piano são os que dão respaldo, dão sua força, de maneira consciente ou não, para que a história aconteça como foi previamente planejada. E os Leigos batizados como devem se portar na construção da História?

-Penso que cabe a nós, cristãos, a tarefa de tocadores e de carregadores conscientes do piano, isto é, devemos estar atentos como construtores de um mundo melhor, fazendo acontecer desde agora o Reino de Deus de acordo com os valores do bem: justiça, fraternidade, solidariedade e serviço, ajudando-nos mutuamente a carregar o piano, fazendo a história acontecer sempre mais alegre e mais feliz para a nossa geração e para as próximas gerações.

Qualquer pessoa batizada que sente o desejo de participar do Congresso pode atuar num grupo de discussão ou também montar um grupo próprio para conversar sobre os temas propostos ou, ainda, criar outro tema objetivando estabelecer uma oficina para debates. Procure na Paróquia o Manual do 1º Congresso Arquidiocesano de Leigos cujo tema é: “Cristãos Leigos: Discípulos-Missionários de Jesus Cristo na Cidade de São Paulo”.

São milhares e milhares de Leigos em nossa Arquidiocese que querem falar sobre a vida da cidade e querem melhorar a qualidade de vida do povo em áreas como: Educação, Saúde, Política, mundo do Trabalho, Adolescentes/Jovens, Vida da Família, o Leigo e os problemas da cidade tanto no centro como na periferia, o Leigo na promoção da justiça e na solidariedade pessoal, a Comunicação Social, a promoção da Caridade, o Leigo na vida da Igreja, o Leigo como sujeito da história e da missão da Igreja e, conforme já mencionado acima, também podem ser elaborados temas de outras áreas que não estão aqui mencionadas.

O Congresso visa o engajamento dos Leigos nessas discussões e quer saber o que os Leigos pensam sobre os diversos assuntos que norteiam sua vida e, depois, estabelecer diretrizes, em documento final no mês de novembro próximo, para a vida e ação da Igreja visando uma sociedade mais justa e mais feliz de acordo com o projeto de Jesus Cristo.

A Igreja conta com você, conta conosco! A sociedade necessita da Igreja para adquirir mais vida e vida em abundância. A Igreja formada pelos batizados deve prosseguir em sua missão: ser fermento na massa e, assim, fazer acontecer a vida nova: de paz, de justiça, de fraternidade para todos indistintamente.

 Não mudamos o mundo para melhor num apertar de botão, num toque de mágica; mas mudamos o mundo para melhor a partir da nossa vida, a partir do nosso interior, a partir da nossa ação.

 

W i l s o n   C o t r i m

Radialista, Jornalista e Teólogo

Autor do curso bíblico em áudio

   “Beabá da Bíblia”

  

O IMPÉRIO  MANDA, AS COLÔNIAS OBEDECEM

Após a Segunda Guerra Mundial, quando as forças aliadas saíram vitoriosas, o governo dos EUA tentou tirar o máximo proveito de sua vitória militar. Articulou  a Assembléia das Nações Unidas dirigida por um Conselho de Segurança integrado pelos sete países mais poderosos, com poder de veto sobre as decisões dos demais. 

Impôs o dólar como moeda internacional, submeteu a Europa ao Marshall, de subordinação econômica, e instalou mais de 300 bases militares na Europa e na Ásia, cujos governos e mídia jamais levantam a voz contra essa intervenção branca.  

O mundo inteiro só não se curvou à Casa Branca porque existia a União Soviética para equilibrar a correlação de forças. Contra ela,  os EUA travaram uma guerra sem limites, até derrotá-la política, militar e ideologicamente.   

A partir da década de 90, o mundo ficou sob hegemonia total do governo e do capital estadunidenses, que passaram a impor suas decisões a todos os governos e povos, tratados como vassalos coloniais.

Quando tudo parecia calmo no império global, dominado pelo Tio Sam, eis que surgem resistências.   Na América Latina, além de Cuba, outros povos elegem governos antiimperialistas. No Oriente Médio, os EUA tiveram que apelar para invasões militares a fim de manter o controle sobre o petróleo, sacrificando milhares de vidas de afegãos, iraquianos, palestinos e paquistaneses.

Nesse contexto surge no Irã um governo decidido a não se submeter aos interesses dos EUA. Dentro de sua política de desenvolvimento nacional, instala usinas nucleares e isso é intolerável para o Império.

A Casa Branca não aceita democracia entre os povos. Que significa todos os países terem  direitos iguais.  Não aceita a soberania nacional de outros povos.  Não admite que cada povo  e respectivo governo controlem seus recursos naturais.

Os EUA transferiram tecnologia  nuclear para o Paquistão e Israel, que hoje possuem bomba atômica.  Mas não toleram o acesso do Irã à tecnologia nuclear, mesmo para fins pacíficos. Por quê? De onde derivam tais poderes imperiais?  De alguma convenção internacional? Não, apenas de sua prepotência militar.

Em Israel, há mais de vinte anos, Moshai Vanunu, que trabalhava na usina atômica, preocupado com a insegurança que isso representa para toda a região, denunciou que o governo já tinha a bomba. Resultado: foi sequestrado e condenado à prisão perpetua, comutada para 20 anos, depois de grande pressão internacional. Até hoje vive em prisão domiciliar, proibido de contato com qualquer estrangeiro.

Todos somos contra o armamento militar e bases militares estrangeiras em nossos países. Somos contrários ao uso da energia  nuclear, devido aos altos riscos, e ao uso abusivo de tantos recursos econômicos  em gastos militares.

O governo do Irã  ousa defender sua soberania.  O governo usamericano só não invadiu militarmente o Irã porque este tem 60 milhões de habitantes, é uma potência  petrolífera e possui um governo nacionalista. As  condições são muito diferentes do atoleiro chamado Iraque.

Felizmente, a diplomacia brasileira e de outros governos  se envolveu na contenda. Esperamos que sejam respeitados os direitos do Irã, como de qualquer outro país, sem ameaças militares.

Resta-nos torcer para que aumentem as campanhas, em todo mundo, pelo desarmamento militar e nuclear.   Oxalá o quanto antes  se destinem os recursos de gastos militares para solucionar problemas como a fome, que atinge mais de um bilhão de pessoas.

Os movimentos sociais,  ambientalistas, igrejas e entidades internacionais se reuniram recentemente em Cochabamba, numa conferência ecológica mundial, convocada pelo presidente Evo Morales. Decidiu-se preparar um plebiscito mundial, em abril de 2011.  As pessoas serão convocadas a refletir e votar se concordam com a existência de bases militares estrangeiras em seus países; com os excessivos gastos militares e que os países do Hemisfério Sul continuem pagando a conta das agressões ao meio ambiente praticadas pelas indústrias poluidoras do Norte.

A luta será longa, mas nessa semana podemos comemorar uma pequena vitória antiimperialista.

 Frei Betto é escritor, autor de “A arte de  semear estrelas” (Ed. Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org

João Pedro Stédile integra a direção da Via Campesina

Artigo enviado pela Colaboradora Irmã Eunice Wolf

Como Morreram os Apóstolos de Jesus.

No começo do seu ministério Jesus escolheu doze homens que o acompanhassem. Teriam esses homens uma importante responsabilidade: Continuariam a representá-lo depois de haver ele voltado para o céu. A reputação deles continuaria a influenciar a igreja muito depois de haverem morrido.

Por conseguinte, a seleção dos Doze foi de grande responsabilidade. "Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolo" (Lc 6.12-13).

A maioria dos apóstolos era da região de Cafarnaum, desprezada pela sociedade judaica refinada por ser o centro de uma parte do estado judaico e conhecida, em realidade, como "Galiléia dos gentios". O próprio Jesus disse:"Tu, Carfanaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno" (Mt 11.23). Não obstante, Jesus fez desses doze homens líderes vigorosos e porta-vozes capaz de transmitir com clareza a fé cristã. O sucesso que eles alcançaram dá testemunho do poder transformador do Senhorio de Jesus.

Os doze apóstolos foram:

1) André; 2) Bartolomeu (Natanael); 3) Tiago (Filho de Alfeu); 4) Tiago (Filho de Zebedeu);

5) João; 6) Judas (não o iscariotes); 7) Judas Iscariotes; 8) Mateus; 9) Filipe; 10) Simão Pedro;

11) Simão Zelote; 12) Tomé; 13) Matias (Substituindo a Judas)

COMO MORRERAM OS APÓSTOLOS?

O martírio dos apóstolos foi anunciado por Jesus: "Por isso, diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns e perseguirão outros" (Lucas 11.49). "E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós. E de todos sereis odiados por causa do meu nome" (Lucas 21.16-17). Esta palavra diz respeito, também, aos crentes de um modo geral. Ainda hoje, anualmente, milhares são martirizados em todo o mundo. "Se a mim me perseguiram também vos perseguirão a vós. mas tudo isso vos farão por causa do meu nome" (João 15.19-20). "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos.eles vos entregarão aos sinédrios e vos açoitarão nas suas sinagogas, e sereis conduzidos à presença dos governadores e dos reis, por causa de mim." (Mateus 10.16-18). Com relação aos sofrimentos e martírio de Paulo, Jesus revelou: "Eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome" (Atos 9.16). Abro um parêntesis para uma reflexão: o Evangelho pregado em nossas igrejas inclui a possibilidade de sofrimento por amor a Cristo, ou anunciamos somente prosperidade, fartura, longevidade e saúde? Vejamos como os apóstolos morreram:

ANDRÉ

Foi discípulo de João Batista, de quem ouviu a seguinte afirmação sobre Jesus: "Eis aqui o Cordeiro de Deus". André comunicou as boas notícias ao seu irmão Simão Pedro: "Achamos o Messias" (João 1.35-42; Mateus 10.2). O lugar do seu martírio foi em Acaia (província romana que, com a Macedônia, formava a Grécia). Diz a tradição que ele foi amarrado a uma cruz em forma de xis (não foi pregado) para que seu sofrimento se prolongasse.

BARTOLOMEU

Tem sido identificado com Natanael. Natural de Caná de Galiléia. Recebeu de Jesus uma palavra edificante: "Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo" (Mateus 10.3; João 1.45-47) Exerceu seu ministério na Anatólia, Etiópia, Armênia, Índia e Mesopotâmia, pregando e ensinando. Foi esfolado vivo e crucificado de cabeça para baixo. Outros dizem que teria sido golpeado até a morte.

FILIPE

Natural de Betsaida, cidade de André e Pedro. Um dos primeiros a ser chamado por Jesus, a quem trouxe seu amigo Natanael (João 1.43-46). Diz-se que pregou na Frigia e morreu como mártir em Hierápolis.

JOÃO

O apóstolo que recebeu de Jesus a missão de cuidar de Maria. "O discípulo que Jesus amava" (João 13.23). Pescador, filho de Zebedeu (Mateus 4.21 O único que permaneceu perto da cruz (João 19.26-27). O primeiro a crer na ressurreição de Cristo (João 20.1-10). A tradição relata que João residiu na região de Éfeso, onde fundou várias igrejas. Na ilha de Patmos, no mar Egeu, para onde foi desterrado, teve as visões referidas no Apocalipse (Apocalipse 1.9). Após sua libertação teria retornado a Éfeso. Teve morte natural com idade de 100 anos.

JUDAS TADEU

Foi quem, na última ceia, perguntou a Jesus: "Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?" (João 14:22-23). Nada se sabe da vida de Judas Tadeu depois da ascensão de Jesus. Diz a tradição que pregou o Evangelho na Mesopotâmia, Edessa, Arábia, Síria e também na Pérsia, onde foi martirizado juntamente com Simão, o Zelote.

JUDAS ISCARIOTES

Filho de Simão, traiu a Jesus por trinta peças de prata, enforcando-se em seguida.(Mateus 26:14-16; 27:3-5).

MATEUS

Filho de Alfeu, e também chamado de Levi. Cobrador de impostos nos domínios de Herodes Antipas, em Cafarnaum (Marcos 2.14; Mateus 9.9-13; 10.3; Atos 1.13). Percorreu a Judéia, Etiópia e Pérsia, pregando e ensinando. Há várias versões sobre a sua morte. Teria morrido como mártir na Etiópia.

MATIAS

Escolhido para substituir Judas Iscariotes (Atos 1.15-26). Diz-se que exerceu seu ministério na Judéia e Macedônia. Teria sido martirizado na Etiópia.

PAULO

Israelita da tribo de Benjamim (Filipenses 3.5). Natural de Tarso, na Cilícia (hoje Turquia). Nome romano de Saulo, o Apóstolo dos Gentios. De perseguidor de cristãos, passou a pregador do evangelho e perseguido. Realizou três grandes viagens missionárias e fundou várias igrejas. Segundo a tradição, decapitado em Roma, nos tempos de Nero, no ano 67 ou 70 (Atos 8.3; 13.9; 23.6; 13-20).

PEDRO

Pescador, natural de Betsaida. Confessou que Jesus era "o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mateus 16.16). Foi testemunha da Transfiguração (Mateus 17.1-4). Seu primeiro sermão foi no dia de Pentecostes. Segunda a tradição, sua crucifixão verificou-se entre os anos 64 e 67, em Roma, por ordem de Nero. Pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por achar-se indigno de morrer na mesma posição de Cristo.

SIMÃO, o Zelote

 Dos seus atos como apóstolo nada se sabe. Está incluído na lista dos doze, em Mateus 10.4, Marcos 3.18, Lucas 6.15 e Atos 1.13. Julga-se que morreu crucificado.

TIAGO, O MAIOR

Filho de Zebedeu, irmão do também apóstolo João. Natural de Betsaida da Galiléia, pescador (Mateus 4.21; 10.2). Por ordem de Herodes Agripa, foi preso e decapitado em Jerusalém, entre os anos 42 e 44.

TIAGO, O MENOR

Filho de Alfeu (Mateus 10.3). Missionário na Palestina e no Egito. Segundo a tradição, martirizado provavelmente no ano 62.

TOMÉ

Só acreditou na ressurreição de Jesus depois que viu as marcas da crucificação (João 20.25). Segundo a tradição, sua obra de evangelização se estendeu à Pérsia (Pártia) e Índia. Consta que seu martírio se deu por ordem do rei de Milapura, na cidade indiana de Madras, no ano 53 da era cristã.

   Autor: reporter de Cristo - 14/5/2011

"Descobrindo  os caminhos de Deus"

 Deus está onde você está

Estamos refletindo sobre a espiritualidade própria para os que vivem no mundão de meu Deus. Procuramos orientação para viver a fé, diferenciada dos que vivem a vida religiosa ou sacerdotal. Sabemos que todos podem ser santos, como escrevia S. Afonso, cada um em sua condição, casado ou solteiro, e em qualquer profissão. Os meios são comuns a todos e cada um os ajusta em sua situação. O ponto de partida é a presença de Deus: “Deus está onde você está!”. Está na Hóstia Consagrada, no Sacrário, mas está a seu lado, no seu íntimo, ao alcance de um grito do coração. Não podemos dizer: Se eu pudesse ir à igreja, ou se eu fosse padre ou freira, eu faria muita coisa. Você pode fazer o mesmo, pois Deus está onde você está. A presença de Deus não é uma idéia do catecismo, mas numa realidade permanente. S. Geraldo dizia : “Se Deus tirasse de nossos olhos esta venda, veríamos em todo lugar um Paraíso. Debaixo destas e daquelas pedras, está Deus”. A fé autêntica é o olhar claro que permite chegar a esta presença em todos os acontecimentos. A fé não é só um punhado de doutrinas. “As verdades da fé são como setas de direção que nos indicam o caminho para o encontro com o Deus vivo; o Deus que não hesitou em encarnar-se em nossa história, em fazer-se Eucaristia por nós” (Pe. S.Majorano). A fé não é intelectual, embora necessária, mas não é tudo. Não basta o conhecimento, é preciso a sabedoria. Não é um Deus distante, pois o encontro é sempre pessoal. Sendo pessoal é aberto a toda pessoa humana. É espontâneo e não recitação de fórmulas que, mesmo boas, mas não é tudo. Se Deus está onde você está, é ali sua catedral, seu sacrário, o lugar do encontro.

Vida espiritual no mundo em chamas

O leigo encontra Deus não no silêncio de uma capela, mas no meio do incêndio da vida, dos acontecimentos, dos problemas. O lugar silencioso é bom, mas é privilégio de poucos. A catedral do leigo é o ônibus cheio, o trânsito pesado, a correria das horas, a luta pela vida, pela subsistência que depende só dele, pois a estrutura não o sustenta. Os problemas da vida, as dificuldades na família, habitação, doenças etc... Tudo depende dele. Ali ele é o sacerdote do universo entregando a Deus como oferta agradável. Ele está também no seu lazer e no seu prazer. Essa noção do mundo para Deus está na devoção de fazer a boa intenção: Tudo seja feito para Deus. Deus fez do homem e da mulher sacerdotes do universo quando disse: “Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra”. Deus deixou ao homem e à mulher o dom de santificar o mundo com sua vida. Não é fugindo do mundo que encontramos Deus. Sem isso, não creio que nos ouça. Os religiosos e sacerdotes devem lembrar que, em primeiro lugar são povo de Deus, e depois estão a serviço deste povo em seu ministério e consagração. Temos muito a aprender do povo em sua fidelidade a Deus. A Igreja é, em primeiro lugar laical, isto é, somos povo, depois classes.

Deus no coração

Não é preciso ir longe para falar com Deus. Deus está no mais íntimo de nosso íntimo. É encontro espontâneo de um amigo que encontra um amigo, sem cerimônias. Ele sabe nossa língua. A primeira igreja é o coração de cada homem e mulher. Se tivéssemos insistido mais nesta verdade, não teríamos perdido tanta gente. A base da santidade é o encontro pessoal com Deus que cada um pode realizar no seu cotidiano, em sua vida. Ouço das pessoas que não tem tempo para rezar. Quando falo da oração pessoal, diz: ‘Eu estou o dia inteiro falando com Deus’. Isso é oração. É diálogo com Deus. É vida cristã.

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer

      Arcebispo de São Paulo

 Famílias, vamos a Aparecida!

 No dia 30 de maio, acontece a 2ª. Peregrinação Nacional da Família, promovida pela Comissão Episcopal Pastoral Vida e Família, da CNBB. As famílias de todo o Brasil estão convidadas: quem puder, organize-se e vá em Romaria à casa da Mãe Aparecida; participe com milhares de outras famílias desse belo momento de fé e de valorização da família.

A Missa da peregrinação, no Santuário de Aparecida, será celebrada às 8h da manhã; também será transmitida pela TV Aparecida. Quem não conseguir estar no Santuário, poderá acompanhar de longe, unindo-se em oração aos romeiros na oração pelas famílias.

A família tem um papel insubstituível na formação da pessoa segundo os valores humanos e cristãos. Por mais que uma família possa ter problemas, nenhuma outra organização da sociedade pode tomar o seu lugar na vida das pessoas. O Estado e suas instituições, a escola, os clubes, as empresas e outras organizações da sociedade podem e devem fazer muito, mas elas não são pai, mãe, irmão, avó, tio, primo... Mesmo a Igreja, como tal, não substitui o papel da família na formação das pessoas.

Por isso, é necessário fortalecer a instituição familiar, ao invés de enfraquecê-la com o descaso, ou com uma legislação que a destrói, ou pretende equiparar outras formas de convivência à família. Esta é um bem insubstituível para a pessoa e para a sociedade. A sociedade e o Estado que desprezam ou destroem a família pagarão um preço alto por isso, pois colherão muitos problemas por causa da ausência da família no amparo e na educação das crianças e adolescentes, no cuidado dos doentes, idosos e pessoas com diversos tipos de problemas.

Certas coisas, só a família consegue assumir e fazer bem, pois o princípio sobre o qual se funda a família é o amor gratuito e desinteressado: O amor verdadeiro entre o homem e a mulher, o amor dos pais pelos filhos e dos filhos pelos pais, a profunda ligação entre os irmãos, o carinho dos avós, os laços do afeto e do parentesco são fatores importantíssimos na vida das pessoas. Destruir isso, é deixar a pessoa desprotegida e exposta a todo tipo de influência perniciosa. E a experiência comprova como isso é verdadeiro!

Portanto, como sinal de apreço e apoio à família, vamos em Romaria para a casa da Senhora Aparecida, Mãe terna de todos os brasileiros, para pedir que ela ampare todas as famílias, especialmente aquelas que mais necessitam de nossa atenção e da bênção de Deus. Vamos consagrar a ela todas as famílias; e vamos pedir sua proteção para que, no Brasil, não sejam aprovadas leis que atentem contra a vida e a família.

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

 

 

 

A Oração do Pai Nosso e os Mandamentos da Lei de Deus

Com o objetivo de repassar junto à comunidade os conhecimentos básicos que temos da Igreja Católica Apostólica Romana, o Pe. José Florêncio iniciou na noite desta quinta-feira, mais um programa de formação aberto a toda comunidade da Paróquia São Carlos Borromeu. Na semana em que a igreja celebrou a Festa de Pentecostes, ele enfatizou o desejo de que estes encontros de formação marquem uma nova etapa de espiritualidade no dia a dia da vida de cada participante. Todos foram convidados a viver, primeiramente na família, as coisas novas que aprendemos neste primeiro encontro, uma proposta de estudo – conhecimento e vivência.

O tema escolhido foi a oração do Pai-Nosso. Dividida em sete frases, a oração foi passo a passo comentada pelo palestrante, após a introdução do título.

Pai- Nosso que estais no Céu.

 Pe. José enfatizou que devemos ter sempre em mente a importância da figura do Deus que é PAI na nossa vida. Um pai bom, amoroso, paizinho, pai Todo Poderoso, ninguém pode mais que Ele.  Mesmo quem não tenha a imagem de um pai bom aqui na terra, deve procurar ter como imagem do pai, a da melhor pessoa que conheça. Pai que cuida, que se importa e que ama a cada filho. Deus, o dono do mundo, é meu pai. Conhece-nos desde a eternidade. Deus é o pai que quer ver seus filhos felizes, como nos ensina Jesus no texto das Bem aventuranças.

Mas principalmente, Deus é Amor (1Jo 4, 8); e nos seus filhos fomos criados a sua imagem para amar e ser amados. O amor é um dom que ao contrário da lógica matemática quando se doa se aumenta. Por isso Deus é pai nosso, seu amor não diminui ao ser partilhado com todos os filhos. Quem ama vai procurando amar cada vez mais e vai sendo cada vez mais capaz de fazê-lo. E continuamos... que estais no Céu. Isto nos lembra a dimensão de eternidade de nosso Deus, da sua grandeza... sendo tão grande é um Deus tão amoroso...

1 - Seja Santificado o Teu nome.

Vemos que o primeiro pedido do pai nosso é que o nome de Deus seja respeitado. O nome de Deus é sagrado. Podemos ver isso também nos mandamentos. O segundo mandamento diz: “Não dizer o santo nome de Deus em vão”. Só Deus é Deus, como nos lembra o livro do Êxodo 3,14. No diálogo com Moisés, quando este lhe pergunta sobre o seu nome, o Senhor responde: “Eu sou”. Porque Deus é ele mesmo, é criador, é santo; deve ser respeitado. Por isso também deve ser respeitado todo ser humano, porque foi criado a imagem e semelhança de Deus. Aí também se fundamenta o respeito à vida de toda pessoa, tanto por ser pessoa quanto por ser criada a imagem de Deus, como nos recorda o quinto mandamento da Lei de Deus: “Não matar”.

2 - Venha a nós o Teu reino.

O reino são valores. Quando rezamos o Pai Nosso devemos pedir a Deus que venham para nós os valores do seu reino. No missal romano no prefácio da missa de Cristo Rei estão enumerados os valores do Reino de Deus. Reino da Verdade e da Vida, da Santidade e da Graça, da Justiça, do Amor e da Paz. O Reino de Deus é eterno e universal. Aliás, o adjetivo de Católica da nossa igreja quer dizer isso, universal; ou seja, aberta a todos.

3 - Seja feita a vossa Vontade.

Aqui a palavra chave é Vontade: Fazer sempre a vontade de Deus. Que significa isso? Significa que eu me deixe conduzir por seu Espírito. Significa atitude de entrega, de serviço, de escuta...  Para fazer a vontade de Deus, tenho que estar atento ao que Ele me fala.

4 - Dai-nos hoje o pão de cada dia.

Por “pão” devemos entender tudo que necessitamos para viver, tanto material quanto espiritualmente. Dai-nos todo o necessário para viver bem este dia. Quantos imprevistos aparecem no nosso dia a dia que não prevíamos... quantas coisas necessitamos para viver e de que nem nos damos conta: o ar, o sol, a comida, a roupa, o carinho...

5 - Perdoai nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos ofendeu.

Perdão e amor são duas caras da mesma moeda. O Perdão é a maior exigência do Cristão. E costuma ser a maior pedra no sapato de todo mundo. Quem é capaz de perdoar supera geralmente todos os males. Para isso temos o sacramento da misericórdia. Talvez o sacramento mais bonito e o pior compreendido. MISERICORDIA (o encontro ente a miséria - fraqueza humana e o Coração Amoroso de Jesus).

6 - Não nos deixeis cair em tentação.

Devemos ter consciência de nossa fragilidade, somos fracos e muito tentados. Hoje por exemplo com as tecnologias da informática aumentaram muito as tentações da sensualidade. Mas isto não é novo, já no decálogo dos mandamentos temos dois deles referidos a este tema, o sexto e o nono mandamento.

 7 - Livrai-nos do mal.

Como somos fracos e conscientes de nossas tentações, não só pedimos a ajuda de Deus, mas também que nos livre do mal. Que nos tire da situação de pecado, nos resgate. Deus já faz isso quando estamos em situação que nos prejudica.

Observação/ Compromisso: Fomos convidados a fazer o propósito de rezar pelo menos um Pai Nosso todos os dias, bem rezado. Que bom seria poder rezar em família. Rezar com os filhos. Quem tem filhos pequenos, tem a possibilidade de ensiná-los a adquirir este costume. Quem tenha já filhos maiores que tente descobrir a maneira de conscientizá-los sobre a importância de rezar e mais ainda da importância de Deus. Procuremos rezar meditando, pensando no sentido de cada frase da oração que Jesus nos ensinou. Essa oração é eficaz e agradável a Deus, pois foi feita pelo seu próprio Filho.

Noite de Formação com Pe. José Florêncio B. Melon , OSA

Paróquia São Carlos Borromeu – Maio/2011

Resumo de Cristina M.Arraes

 

 

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A festa de Corpus Christi

 

No dia de Corpus Christi, os católicos proclamam sua fé na presença real de Cristo no pão e no vinho consagrados pelo sacerdote na celebração da missa, isto é, no Sacramento da Eucaristia. Eles testemunham esta fé em celebrações eucarísticas e em procissões nas quais a hóstia consagrada é mostrada num ostensório. Os fiéis entoam cânticos e preces em louvor a Cristo sacramentado. Os fiéis em muitos lugares enfeitam as ruas por onde passa a procissão com tapetes de flores, serragem colorida e outros materiais.

 

A Instituição do Sacramento da Eucaristia deu-se na última ceia e é celebrada solenemente na quinta-feira santa. Como, porém, o clima de recolhimento da Quinta-feira Santa não permite uma celebração mais festiva, a Igreja instituiu a festa de Corpus Christi, comemorada sempre na quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.

 

Para os fiéis católicos a Eucaristia é um encontro concreto com o Cristo, o Pão da Vida. Deste sacramento disse o Papa João Paulo 2º na encíclica “Ecclesia de Eucharistia”: “A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom dele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação.”

 

A origem da solenidade de Corpus Christi vem do século XIII e foi instituída pelo Papa Urbano IV em 1264 em atenção às visões de uma religiosa agostiniana, Juliana de Mont Cornillon. Ela via uma mancha escura no sol, fato interpretado como a falta de uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico da Igreja. Iniciada na Bélgica, a festa se extendeu por todo o mundo. Em 1317, o Papa João XXII determinou a procissão em vias públicas.

 

Padre Cido Pereira

Vigário Episcopal

 

 

Consciência Crítica

 

Lendo um artigo de Frei Betto desta semana, eu fiquei refletindo sobre essas grandes “verdades” (mentiras ou exageros) que a TV, revistas, jornais e outros meios de comunicação nos colocam  na cabeça e que nos levam a acreditar fielmente, sem questionarmos seus valores . Tomo a liberdade de transcrever um pequeno trecho do artigo:

 

“As pessoas renunciam a pensar por si mesmas. Preferem se colocar  sob proteção dos “oráculos da verdade”: a revista semanal, o telejornal, o  patrão, o chefe, o pároco ou o pastor.

Esses os guardiões da verdade que, “bondosamente”, velam  para não nos permitir incorrer em equívocos. Graças a seus alertas sabemos que  as mortes de terroristas nas prisões made in USA de Bagdá e Guantánamo  são apenas acidentes de percurso comparadas à morte de um preso comum,  disfarçado de político, num hospital de Cuba, em decorrência de prolongada  greve de fome.

 

São eles que nos tornam palatáveis os  bombardeios dos EUA no Iraque e no Afeganistão, dizimando aldeias com crianças  e mulheres, e nos fazem encarar com horror a pretensão de o Irã fazer uso  pacífico da energia nuclear, enquanto seu vizinho, Israel, ostenta a bomba  atômica.

São eles que nos induzem a repudiar o MST  em sua luta por reforma agrária, enquanto o latifúndio, em nome do  agronegócio, invade a Amazônia, desmata a floresta e utiliza mão de obra  escrava.”

 

Quantas mentiras nos são passadas como verdades e chegamos até a teimar numa conversa com amigos ou reuniões das quais participamos.

 

Precisamos urgentemente, fazer ressurgir a Consciência Crítica. Esse tema fez parte de nossa catequese por muito tempo anos atrás e nos preparava melhor para enfrentarmos o mundo de hoje com suas técnicas avançadas.

 

Não afirmo que todos estamos neste barco. Lógico que não. Há muitas pessoas que deixam, por exemplo, de assinar a revista Veja e procuram uma revista melhor. Mas é preciso estar sempre atentos, pois é bem mais fácil “irmos com a onda da moda” do que escolhermos algo de bom que vai  nos  custar mais atenção, mais aprofundamento, mais coragem ...

 

Com carinho, Ir. Eunice

 

 

 "Sagrado coração de Jesus."

 

  Uma fonte aberta

 “E lhes darei um só coração, e porei dentro deles um novo espírito; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne” (Ez 11,19). O profeta Ezequiel anuncia um tempo novo que nasce do coração Daquele que muito amou. O homem novo, nascido da Ressurreição de Cristo recebe esse transplante de coração. No peito de cada um bate o coração do Filho amado de Deus. Unidos a Seu coração, todos participam deste amor. É uma bela fonte de espiritualidade. A festa do Sagrado Coração não celebra um membro do corpo de Cristo, mas o amor de Deus simbolizado pelo coração do Filho que foi transpassado pela lança do soldado. Naquele momento, que parecia ser tão doloroso, Jesus faz o último gesto de sua vida terrena derramando sobre nós as riquezas que o Pai pôs em Seu coração: De seu lado aberto jorrou sangue e água. Abriu a fonte da graça: deu-nos o Batismo nas águas e a Eucaristia no sangue. Estes são os sacramentos dos quais jorram os infinitos sacramentos de Cristo. A imagem da água que jorra abundante atravessa a Sagrada Escritura, como por exemplo: A água que jorrou da pedra no deserto (Nm 20,11), águas que nascem da soleira da porta da cidade (Ez 47,1), água que fervilhava na piscina para curar (Jo 5,4), o rio que saia debaixo do trono de Deus e do Cordeiro (Ap 22,1). Jesus afirma que a presença do Espírito é como uma água que jorra do coração do fiel: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva” (Jo 7,38). A fonte aberta está no Coração de Jesus e no coração daquele que crê. A verdadeira devoção é deixar-se inundar por esta fonte. Não se trata de receber grandes bênçãos, mas de viver da Fonte.

 

Uma porta aberta

 Na espiritualidade cristã, de modo particular, em S. Catarina de Sena, vemos o lado aberto de Jesus não somente como uma chaga que foi aberta pela lança de onde ‘correu sangue e água’ (Jo 19,31-37), mas uma porta aberta para entrar no coração de Jesus, isto é, na casa do amor onde estão todas as delícias de Deus. “Vinde a mim vós todos que estais cansados sob o peso de vosso fardo. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas” (Mt 11,28-29). Jesus diz de Si: “Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo” (Jo 10,9). A abertura do peito de Jesus e de seu coração é símbolo da porta que Jesus fez para que tivéssemos acesso ao Pai. Esta porta é Ele. Nossa união a Ele é a entrada que fazemos em Seu coração.

 

Batendo juntos os corações.

 Como é bela devoção ao Sagrado Coração. Quanta gente faz a novena das nove sextas-feiras! Quantos entronizaram o quadro do Sagrado Coração! Lembro-me bem, por 1958, de se fazer em minha casa este piedoso gesto. A devoção não pode abafar o amor e pensar só em si. O grande problema das devoções é que elas não penetram o coração nem fazem mudar de vida para ter os mesmos sentimentos de Cristo (Fl 2,5). Deus quer devoção, mas cheia do mesmo amor que Jesus manifesta. Não basta um amor exterior. Isso mata nossa fé. Por isso, temos que fazer um transplante de coração, colocando em nós o Seu Coração. Nosso coração se torna sagrado quando invadido pelo amor, batendo ao ritmo de Coração de Cristo. Por isso rezamos: Doce Coração de Jesus, fazei nosso coração semelhante ao Vosso. É neste Coração que se encontram as riquezas do amor de Deus.

 

Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Redentorista

 

Outono da vida

 

Memória agradecida

 

Refletimos sobre tornar-se criança como uma virtude. Como encerramento do ciclo das virtudes humanas, chegamos à virtude do saber envelhecer. Agora que a vida está se prolongando mais, com vitalidade, é uma virtude extremamente saudável. Nas reflexões sobre as virtudes, baseei-me nos escritos do Pe. Bernardo Häring, redentorista, o maior moralista dos tempos modernos. Ele foi o homem que abriu a reflexão moral para o mundo atual.

 

Foi perseguido, inclusive por grupos da Igreja. Tive a alegria de conviver com ele. Pe.  Häring, reflete sobre sua vivência aos 84 anos, isto, antes de 1998. Ele afirma que “a virtude de saber envelhecer é a capacidade de respeitar e amar o outono da vida, isto é, arte de envelhecer com dignidade”.

 

A arte de morrer (ars moriendi, como se dizia na Idade Média), é  preparar-se para uma boa morte com as virtudes que coadunam com o outono da vida. Ele ensinou-nos a viver na “memória agradecida”. É preciso deixar as mágoas de lado e partir para reviver, de modo agradecido, as coisas belas da existência, mantendo a gratidão. É importante para as novas gerações ter a sabedoria de conviver com os idosos. Na Angola as famílias se sentiam privilegiadas por terem um ancião.

 

‘Quando morre um velho, se diz, queimou-se uma biblioteca’. É belo aprender a sabedoria lendo o livro da vida. Não se pode dizer: ‘Só meu tempo é que prestava. Agora acabou tudo!’ A sabedoria é cultivar a alegria das coisas boas e conviver com a novidade. 

 

Sinais belos da vida

 

Hoje procuramos esconder os sinais do envelhecimento. A gente fica feliz quando alguém diz que não demonstramos a idade que temos (pior quando dizem que parecemos mais velhos !!!). A idade existe e tem suas conseqüências.

 

Envelhecer não é um mal. É um dom a ser aproveitado em cada ruga. Há um caminho, apresentado pelo Pe. Häring, que é interessante: Cultivar o bom humor, dar preferência às boas notícias e deixar programas de televisão que provocam medo e insegurança. Aceitar as limitações da saúde, da situação social e da diferença de formação, da cultura etc... sem ficar se queixando.

 

Aceitar que nos distanciamos das coisas. Não se trata de ser colocado de lado. É uma separação serena que nos conduz à separação definitiva. Não se levar demasiado a sério. E, sobretudo, manter-se intelectualmente ativo. Não nos preocupemos: Ninguém é insubstituível.

 

Saber aprender

 

Não conviver com velhos e crianças é ser pobre de vida. Meus pais estão idosos. Papai tem 95 e mamãe, 91. Perguntei a meu irmão Carlinho (51), porque gosta de conversar com papai. Respondeu:

 

“Eu me sinto muito bem de conversar com ele. Ele tem muita confiança em mim. Gosto de contar tudo a ele, pois o retorno é muito grande. Ele se interessa pelos assuntos. A pessoa idosa quer saber detalhes do que está acontecendo. Quer viver e não quer ficar no cantinho. Desperta-o muito. Tira um pouco da tristeza. A gente que viveu longe, não teve convivências, então aproveita agora”. Esse mútuo aprendizado é muito enriquecedor. Papai sempre quer saber e contar sua experiência. Aqui, em minha comunidade, temos o Pe. Morgado (94). É um poço de informações. Ele diz: ‘Minha missão é rezar’. É tempo de rezar. D. Aloysio dizia que a velhice é o tempo de rezar. De nossa parte, importa provocar maravilhoso intercâmbio das idades. Por fim, aprender dar à morte seu melhor sentido que é porta para a vida eterna. Pe. Haring rezava: “Sim, Pai, aqui me tendes pronto para partir para vós”. Simeão disse: “Agora, Senhor, deixai vosso servo ir em paz, porque meus olhos viram a salvação” (Lc 2,29).

 

Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Redentorista

 

 

 

 

 

 

 

 

O Encerramento do Ano Sacerdotal

 

A Igreja sem dúvida está muito feliz com o Ano Sacerdotal e agradece ao Senhor por haver inspirado o Santo Padre a decidir sua realização. Todas as informações que chegam aqui a Roma sobre as numerosas e multíplices iniciativas programadas pelas Igrejas locais no mundo inteiro para realizar este ano especial constituem a prova de como foi bem recebido e - podemos dizer – correspondeu a um verdeiro e profundo anseio dos presbíteros e de todo o povo de Deus. Estava na hora de dar uma atenção especial de reconhecimento e de empreendimento em favor do grande, laborioso e insubstituível presbitério e de cada presbítero da Igreja.

 

É verdade que alguns, mas proporcionalmente muito poucos, pesbíteros cometeram horríveis e gravíssimos delitos de abuso sexual contra menores, fatos que devemos rejeitar e condenar de modo absoluto e intransigente. Devem eles responder diante de Deus e diante dos tribunais, também civis. Mas estamos antes de mais nada do lado das vítimas e queremos dar-lhes apoio tanto na recuperação como em seus direitos ofendidos.

 

Por outro lado, os delitos de alguns não podem absolutamente ser usados para manchar o inteiro corpo eclesial dos presbíteros. Quem o faz, comete uma clamorosa injustiça. A Igreja, neste Ano Sacerdotal, procura dizer isto à sociedade humana. Qualquer pessoa de bom senso e boa vontade o entende.

 

Dito necessariamente isso, voltamos a vós, caros presbíteros. Queremos dizer-vos, mais uma vez, que reconhecemos o que sois e o que fazeis na Igreja e na sociedade. A Igreja vos ama, vos admira e vos respeita. Sois também alegria para nossa gente católica no mundo, que vos acolhe e apoia, principalmente nestes tempos de sofrimentos.

 

Daqui a dois meses chegaremos ao encerramento do Ano Sacerdotal. O Papa, caros sacerdotes, convida-vos de coração a vir de todo o mundo a Roma para este encerramento nos dias 9, 10 e 11 de junho próximo. De todos os países do mundo. Dos países mais próximos de Roma dever-se-ia poder esperar milhares e milhares, não é verdade? Então, não recuseis o convite premuroso e cordial do Santo Padre. Vinde e Deus vos abençoará. O Papa quer confirmar os presbíteros da Igreja. A vossa presença numerosa na Praça de São Pedro constituirá também uma forma propositiva e responsável de os presbíteros se apresentarem, prontos e não intimidados, para o serviço à humanidade, que lhes foi confiado por Jesus Cristo. A vossa visibilidade na praça, diante do mundo hodierno, será uma proclamação do vosso envio não para condenar o mundo, mas para salvá-lo (cfr. Jo 3,17 e 12,47). Em tal contexto, também o grande número terá um significado especial.

 

Para essa presença numerosa dos presbíteros no encerramento do Ano Sacerdotal, em Roma, há ainda um motivo particular, que a Igreja hoje tem muito a peito. Trata-se de oferecer ao amado Papa Bento XVI nossa solidariedade, nosso apoio, nossa confiança e nossa comunhão incondicional, diante dos frequentes ataques que lhe são dirigidos, no momento atual, no âmbito de suas decisões referentes aos clérigos incursos nos delitos de abuso sexual contra menores. As acusações contra o Papa são evidentemente injustas e foi demonstrado que ninguém fez tanto quanto Bento XVI para condenar e combater corretamente tais crimes. Então, a presença massiva dos presbíteros na praça com Ele será un sinal forte da nossa decidida rejeição dos ataques de que è vítima. Portanto, vinde também para apoiar o Santo Padre.

 

O encerramento do Ano Sacerdotal não constituirá propriamente um encerramento, mas um novo início. Nós, o povo de Deus e os pastores, queremos agradecer a Deus por este período privilegiado de oração e de reflexão sobre o sacerdócio. Ao mesmo tempo, propomo-nos de estar sempre atentos ao que o Espírito Santo quer nos dizer. Entretano, voltaremos ao serviço de nossa missão na Igreja e no mundo com alegria renovada e com a convicção de que Deus, o Senhor da história, fica conosco, seja nas crises seja nos novos tempos.

 

A Vrigem Maria, Mãe e Rainha dos sacerdotes, interceda por nós e nos inspire no seguimento de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

 

Cardeal Cláudio Hummes

Arcebispo Emérito de São Paulo

Prefeito da Congregação para o Clero

Carta aos Leigos da Arquidiocese de São Paulo

 

São Paulo, 29.06.2011

 

Estimados leigos e leigas

  

Estou muito feliz ao constatar o entusiasmo de muitos de vocês com a realização do 1º Congresso de Leigos da nossa Arquidiocese. Tenho muita esperança que os frutos serão abundantes, com a graça de Deus!  Por isso, quero encorajar a todos a prosseguirem nos passos e nas atividades propostas, tendo sempre em vista os grandes objetivos do Congresso: Uma nova tomada sobre a vocação dos cristãos leigos, seu lugar e sua participação na vida e na missão da Igreja. Lembrem sempre: vocês são a presença da Igreja “fora da igreja”, ou seja, no vasto mundo das organizações da sociedade, das profissões e das responsabilidades públicas. Ali, mais que tudo, Cristo os envia a serem seus “discípulos missionários na cidade de São Paulo”;  na sociedade, vocês são o sal da terra, a “luz do mundo, o fermento na massa e as testemunhas do Evangelho de Cristo.

 

A primeira etapa do Congresso, que previa o envolvimento amplo nessa reflexão dos leigos nas organizações de base da Igreja (paróquias, pequenas comunidades, pastorais, associações, movimentos, grupos diversos, “comunidades novas”, leigos relacionados com as comunidades religiosas, escolas católicas e outras instituições da Igreja) chegou ao seu término. No entanto, onde os encontros ainda não estiverem concluídos, eles podem continuar acontecendo, mesmo até o final do Congresso. Seria bom se os grupos que se organizaram nesta etapa pudessem continuar a se encontrar, mesmo depois do Congresso.

 

E agora vai deslanchando a segunda fase do Congresso, através das oficinas temáticas realizadas nas Regiões Episcopais, com a participação dos “delegados” dos grupos acima mencionados. A proposta, agora, é refletir sobre aspectos mais específicos do envolvimento dos leigos na vida e na missão da Igreja, para chegar à elaboração de “propostas missionárias” concretas para o laicato na Arquidiocese e na cidade de São Paulo. Esta etapa culmina com os Congressos Regionais, propriamente ditos, no dia 28 de agosto próximo. Faço votos que sejam momentos muito enriquecedores para os participantes.

 

Nesta etapa do Congresso, desejo compartilhar com vocês algumas reflexões sobre a missão da Igreja; parece-me importante fazê-lo e sugiro que vocês possam ler esta carta em seus grupos e refletir sobre ela. A Igreja é a comunidade de todos os batizados, reunidos na comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, na qual existem dons e carismas diversos, mas todos estão ordenados ao bem de toda a comunidade e à realização da vida e da missão da Igreja. A razão de existir da Igreja de Cristo é a evangelização, como disse o papa Paulo VI na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi. Esta é a sua missão e foi isso que Jesus chamou os apóstolos, comunicou-lhes o Evangelho e enriqueceu-os com os dons do Espírito Santo; foi isso que lhes pediu, quando os enviou a todos os povos e a toda criatura: “ide... proclamai o Evangelho”.

 

É isso mesmo que Jesus Cristo, Senhor da Igreja, continua a nos pedir neste início do século XXI e no contexto da cidade de São Paulo, complexa e desafiadora, mas também vibrante e rica de oportunidades para a comunidade daqueles que Jesus Cristo aqui reuniu, santificou e enviou. Esta missão tem basicamente 4 aspectos complementares, como recordam as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, da CNBB: O serviço ao próximo em nome de Cristo; o diálogo com todos, para a aproximação respeitosa, a busca da verdade e a promoção da convivência fraterna; o anúncio explícito da Palavra de Deus; o testemunho de comunhão, para manifestar a vida nova do Evangelho. A evangelização se expressa nessas 4 dimensões da vida da Igreja.

 

A missão envolve todos os membros da Igreja e é sempre importante refletir sobre ela, para mantermos clara a consciência daquilo que somos, como cristãos e como membros da Igreja: Somos evangelizadores. Ou então, na expressão adotada pela Conferência de Aparecida: Somos discípulos missionários de Jesus Cristo. Os filhos da Igreja, congregados em torno de Cristo, recebem dele e acolhem com alegria os dons da salvação para viver deles e para se lançar para o meio do mundo, indo ao encontro dos povos, dos outros irmãos, compartilhando com eles os dons da salvação. E a todos, ela deve anunciar que o Reino de Deus está já chegou, acolhendo, ela própria, esta Boa Notícia com alegria e dando testemunho das realidades do Reino de Deus.

 

A Conferência de Aparecida convoca cada comunidade e a todos nós, batizados, a realizarmos um processo de “conversão pastoral”, passando de uma pastoral de conservação para uma pastoral decididamente missionária. Isso significa que não devemos contentar-nos em ter encontrado, para nós, a alegria da fé e a beleza da vida cristã, mas que devemos ter o desejo e a preocupação de compartilhar isso com os outros: É bom ser cristãos católicos! E pode ser bom também para os outros! O chamado a ser evangelizadores vale para todos os batizados: Para os leigos, os consagrados à Vida Religiosa e para os ministros ordenados, que têm a especial missão de formar, animar e conduzir toda a sua comunidade na missão evangelizadora.

 

O processo da evangelização, por sua vez, pode ser resumido em três passos essenciais: Encontrar Jesus Cristo; seguir Jesus no caminho; anunciar Jesus aos outros. A vida cristã começa com o encontro com Cristo; normalmente, alguém ajuda para que isso aconteça e leva ao encontro com Cristo, aponta para Ele e abre indica o caminho para que leva a Ele. Será sempre alguém que já O conhece e está entusiasmado por Ele, sendo capaz de interessar outros também, testemunhando, como os apóstolos: “Encontramos o Senhor!” Ou então: “vem e vê! Só Ele tem palavras de vida eterna!” Ou ainda: “Ele é o caminho, a verdade e a vida!” O encontro com Jesus é proporcionado de muitas maneiras e representa, no itinerário da evangelização, a iniciação à vida cristã e a descoberta da fé e da vida da Igreja. Aqui têm papel importante os pais, os catequistas, os colegas, os testemunhas... E o Espírito Santo não deixa de fazer a parte dele.

 

O segundo passo é o seguimento de Jesus. A vida cristã não é apenas feita de conhecimentos, mas é adesão à pessoa de Cristo e, por meio dele, adesão a Deus, no dom do Espírito Santo. O seguimento de Cristo pelo caminho acontece na prática diária da vida cristã, na vida moral coerente com o Evangelho e os mandamentos da Lei de Deus e o cultivo da amizade e da comunhão com Deus. Aqui precisamos entender que a verdadeira religião vai além da busca de vantagens ocasionais, em momentos de necessidade pessoal, mas consiste na adesão pessoal a Deus, por meio de Jesus Cristo; a vida inteira será, pois, marcada por esse “seguir Jesus pelo caminho”, para que nossa existência e nossa conduta pessoal seja coerente com Aquele que nos chamou e nos ama.

 

O terceiro passo do processo de evangelização é o anúncio de Jesus Cristo aos outros, de muitos modos. O cristão, discípulo de Cristo, só é adulto quando se coloca a serviço do anúncio da Boa Nova para os outros. Quem conheceu o amor de Cristo, não deixará de falar dele aos outros, a exemplo de Paulo, que dizia: Ele me amou e por mim se entregou... Agora faço de tudo para ver se consigo ganhar alguns para Cristo. Nós precisamos perder o medo de falar de nossa fé e de nossa Igreja aos outros. Precisamos, sem dúvida, conhecer mais nossa fé e também a nossa Igreja. Ninguém ama o que não conhece; e nós temos tantas coisas bonitas na nossa fé e na Igreja!

 

Ser cristão católico é uma graça muito grande! É ter parte na “herança apostólica” e estar na Igreja que permaneceu até hoje na “doutrina dos apóstolos”. É ser membro dessa mesma família espiritual, congregada em nome da Trindade Santa, da qual também são membros tantos santos, mártires, místicos, teólogos, missionários... Estamos em boa companhia, com aqueles que viveram esta mesma fé, antes de nós, e a transmitiram de geração em geração, até chegar a nós! Estamos na companhia dos Apóstolos, da Virgem Maria e de seu esposo São José, que “viram Jesus” e nos contaram! E também dos grandes São Bento, S.Agostinho, São Boaventura, São Tomás de Aquino, Santo Antônio, Santa Teresinha, São João Bosco e de uma miríade incontável de irmãos que viveram exemplarmente o seguimento de Jesus ao longo da história bimilenar da Igreja!

 

Também em São Paulo, que nasceu em torno da Igreja e de um colégio católico... Aqui viveram e trabalharam pela Igreja, antes de nós, santos missionários, como Anchieta e Nóbrega, Frei Galvão, Madre Paulina e Padre Mariano de la Mata e tantos outros, cujos nomes estão anotados no Livro da Vida. Aqui Deus nos chama a viver a nossa fé cristã e a testemunhar a presença do seu reino. Tenhamos, portanto, ânimo e coragem para fazer a nossa parte na vida e na missão da Igreja. Somos privilegiados por viver numa época em que a Igreja toma nova consciência de sua natureza missionária e tenta traduzir esta consciência em novas propostas de ação.

 

Desejo, portanto, que as reflexões nas oficinas temáticas ajudem a perceber o chamado de Deus a viver e testemunhar a fé nos diferentes ambientes onde Deus os chamou e enviou, enquanto leigos. Tenham a certeza de que a contribuição dos católicos, inspirados e motivados pela sua fé, é muito importante para a vida da cidade e para a formação da cultura deste imenso povo.

 

Deus os abençoe e ilumine! Os apóstolos Pero e Paulo cujo martírio recordamos, sejam exemplos estimulantes para vocês! Nossos santos “paulistanos”, Padre Anchieta, Madre paulina, Frei Galvão e Padre Mariano, intercedam por todos!

 

Card. D.Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo

São Paulo 29.06.2011

 

Cruzes que salvam

 

 Trago as chagas de Cristo (Gl 6,17)

 

Estamos sempre nos perguntando pelo sentido da dor, do sofrimento e da morte. Estranhamos o sofrimento de crianças e de pessoas boas.  De outra parte, vemos pessoas que consideramos más que estão ótimas e vendendo saúde. Isso nos incomoda muito. Não podemos dizer que Deus manda o sofrimento para a pessoa. Deus, absolutamente, não quer que ninguém sofra.

 

Deus não desconta nossos pecados em nosso corpo. Deus nos ama. A dor, a morte, a doença vem de onde? De nós mesmos ou são provocadas pelos outros pelas opções que fazemos. Por isso dizemos que são frutos do pecado. Se eu deixar que as más tendências atuem, provocamos males que tem seus preços (1Tm 6,10).

 

Olhando pela fé cristã, o sofrimento tem sentido, pois Cristo sofreu os mesmos males que sofremos (Hb 4,15), pior ainda, as dores da Paixão. Ele assumiu nossas dores e por suas chagas formos curados (1Pd 2,24). Cristo não teve pecado, mas carregou nossos pecados (1Pd 2,24), e se fez pecado (2Cor 5,21), quer dizer, assumiu todo o pecado do mundo (1Pd 2,24) e redimiu a humanidade pregando na cruz o decreto de condenação que estava destinado a nós (Cl 2,14).

 

O sofrimento vem da nossa fragilidade. Não podemos dizer que o sofrimento é fruto de um pecado. Nossa natureza é frágil e aos poucos vai dando sinais de insuficiência. Mas é de fundamental importância unir nossos sofrimentos aos de Cristo para que eles também sejam redentores. O sofrimento do cristão deve ser visto na sua condição humana, e também como participação do Mistério Pascal de Cristo que é Paixão, Morte e ressurreição.

 

 Estive doente (Mt 25,36)

 

A doença está sempre presente em nossas vidas. Ela mostra a fragilidade do ser humano. Desejamos viver sem problemas e para sempre perfeitos. Não acontece. A natureza humana é frágil. Graças a Deus e a ciência que evolui, temos melhores condições e meios para superar muitas doenças. Um dia passamos por ela. Quando não são as dores físicas são as psicológicas e mesmo as espirituais. O que nos interessa agora é contemplar a doença dentro da visão da fé cristã. Não são castigos por males e nem outros tem poder de nos tornar doentes. Isso não faz parte da fé. Ouvimos que “alguém fez um trabalho”.

 

Acreditar nisso é muito primário. Temos que procurar o recurso, organizar meios de ajudar os outros e sobretudo criar ambiente na comunidade para dar presença aos doentes. É um bom remédio. Serve para nossa santificação quando sofremos unidos a Jesus. Aí sim, ela se torna redentora. Esta é a vontade de Deus. Mesmo na dor estar unido a Deus.

 

Com Ele morremos e viveremos (Rm 6,8)

 

Temos uma certeza: vamos morrer! A morte faz parte da vida. Quanto mais entendemos que ela faz parte da vida, mais intensamente podemos viver. Por isso, quanto mais colocarmos a morte em nossa vida, mais teremos a vida na morte. Isto quer dizer: o fim de nossa vida deve orientar o que fazemos. Lemos em Eclesiástico: “Pensa no teu fim e não pecarás” (Ecl 7,36), isto é, viverás!. A morte estimula a vivermos bem porque a vida continua após a morte. Se vivermos mal, não construímos a Vida. Ela será sempre uma surpresa. Estar preparado é viver bem. Não viver bem, a morte é uma desilusão. Viver bem, ela é o encontro com o Pai.

 

Estes assuntos são difíceis que pois exigem a fé madura e uma vida unida a Cristo. Jesus se preocupou com os doentes, consolou os sofredores, chorou os mortos e os ressuscitou. É isso que faz conosco.

 

Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Redentorista

 

 

 

 

 

 

 

Onde está o leigo nos dias de hoje?

 

O leigo, nos dias de hoje, reúne-se em sua comunidade de fé, em seu local de trabalho, em sua escola, em sua família ou em outro local que lhe é próprio para conversar sobre seus anseios, suas expectativas e descobrir sua tarefa de batizado em meio à sociedade; o leigo, ao refletir sua missão, descobre-se como sujeito da história.

 

E mais, descobre que a história, embora feita por milhões e até bilhões de pessoas, será diferente com a sua interferência. É essa descoberta que faz com que pessoas, no decorrer dos anos, nunca desanimem de lutar e muitas outras dêem tudo de si, até a própria vida, pela causa do bem comum.

 

Entre as pessoas que lutam por seus ideais em prol de um mundo melhor, a pessoa leiga cristã tem um diferencial de destaque: movida pela esperança, tem plena certeza que a vitória chegará no tempo certo, no tempo oportuno, pois, a força que a impele para a meta do bem comum, da vida, é alimentada pelas virtudes da fé, da esperança e da caridade.

 

Por Wilson Cotrim

Alicerces Bíblicos para uma vida Cristã                                     

 

A palavra “cristã”  é uma referencia a tudo que  aconteceu na época de Jesus e depois Dele.

Alicerce é aquilo que coloca a casa de pé e firme. Que força secreta é essa que alimenta a esperança dos que teimam em resistir e em sonhar com uma sociedade mais humana e feliz? Portanto :- Qual é, na nossa vida cristã o alicerce, quais são os alicerces bíblicos? A nossa fé se fundamenta na Biblia, portanto, é aí que vamos encontrar os nossos alicerces. Antes de Jesus nascer a base do Judaismo era a TORÀ, isto é, o Pentateuco.... especialmente o Êxodo com a figura profética de Moisés e toda a experiência do deserto onde se encontram os 10 mandamentos.  Depois vem a palavra e vida de certos Patriarcas e Profetas e acontecimentos marcantes na História do Povo: a passagem do Mar Vermelho, a Lei (os 10 mandamentos), o Templo de Jerusalém, as Leituras Sagradas, as festas Religiosas (Páscoa, Perdão,Pentecostes e Ano Novo) e outros.

 

Para nós cristãos, vamos procurar as fontes, os alicerces, no Segundo Testamento na pessoa profética de Jesus, que é o Filho de Deus, segunda pessoa da Santíssima Trindade. São suas Palavras, que para nós, são as portas da fé e de uma vida de cristãos verdadeiros. Eu resumiria os alicerces da nossa vida cristã  no Projeto de Jesus.  É aí que vamos encontrar:

 

- quem era Jesus Cristo,

- como veio entre nós,

- como viveu a sua Missão,

- qual era a sua Palavra vital,

- o que nos recomendou,

- o que nos apontou como essencial.........

 

Então, poderíamos ressaltar muitas passagens, muitos dados dos sermões, muitas maravilhas de suas atitudes, muitas recomendações diretas aos apóstolos e discípulos, muitas parábolas, milagres...Assim, os principais mistérios que viveu e nos deixou: A Encarnação (nascimento de Jesus) a sua Palavra (Novo Testamento) sua Morte e Ressurreição, a Instituição da Eucaristia, suas aparições após a ressurreição.

 

Há biblistas que apontam várias passagens de sua vida como a Ressurreição de Lázaro,  da menina...

Outros apontam os mistérios, outros os Sacramentos, outros ainda que se preocupam com uma Bíblia mais popular, apontam gestos de Jesus que tem seus significados: O Lava-pés, a Conversa com a Samaritana no poço, o diálogo com Nicodemos, sua vida de pobre junto dos pobres, seu judaísmo fiel,  a escolha dos apóstolos e........

 

Conhecemos tudo isso, mas, como eu disse antes, resumo em duas bases, dois alicerces,  que destaco como essenciais para vivermos um verdadeiro cristianismo que são o resumo dos 10 mandamentos e que o próprio Jesus disse: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo por amor de Deus. Sendo o primeiro igual ao segundo e vice-versa.”

 

- O que é amar a Deus sobre todas as coisas?....

- O que é amar o próximo como a mim mesmo?........

 

Para podermos conhecer , entender e viver esse resumo dos Mandamentos (a Lei) precisamos:

- dar tempo para lermos a Bíblia.

- refletir sobre o que lemos,

- aplicarmos na nossa vida,

- rezarmos com aquilo que no momento vem ao coração,

- partirmos para agir e se preciso, mudarmos alguma coisa em nossa vida.  "Feliz os que ouvem a Palavra de Deus e a colocam em prática".

 

Um abraço a todos

Irmã Eunice Wolf

FAZER O BEM!

Recordar a parábola do Bom Samaritano é sempre uma motivação para fazer o Bem, para sermos bons. Quantos pensamentos conhecemos que nos estimulam nesta direção.

Dom Manuel Pestana nos recordava  com freqüência nos encontros da Pastoral Familiar estes dois pensamentos do Papa Pio XII: " Não sabe o Bem que faz quem faz o Bem. E tenho medo que os Bons se cansem". O refrão popular nos recorda que: "O barulho não faz Bem, e o Bem não faz barulho". E por aí vai......

A dinâmica do Bem se move entre  dois pólos. De um lado, a essência do Bem no permite escolhas; ele se realiza sempre e com todos, aí radica sua exigência. Cristo é o modelo e por isso o apresenta a  Sagrada Escritura como aquele que fez Bem todas as coisas, agiu corretamente em todas as situações. De outro e para que seja bom mesmo o Bem tem que estar atento aos que não procedem Bem. A este respeito este pensamento de Mario Quintana, além de poético é ilustrador : " Sê Bom. Mas ao coração, prudência e cautela ajunta. Quem todo de mel se unta, os ursos lamberão".

O tempo de ferias é propicio para nos recuperar, renovar e reabastecer nos propósitos de ser Bons, ser melhores.

Quero concluir esta reflexão com um testemunho. Nosso paroquiano o Sr. Fortunato Tedeschi sofre de uma paralisia grave e parcial há anos. Esta circunstância porém não lhe afetou os sentimentos do seu Bom coração. Desde muito anos ele se sente estimulado a recolher textos de suas Boas leituras e oferecê-los numa revista gratuita  que distribui entre os amigos :" Olhando as Pirâmides". Conhecida de muitos paroquianos, tem sempre Boas reflexões sobre a Vida Familiar.

Bom mês de Julho. Pe. José Florêncio.

Um político de ficha limpa

A campanha em favor da “ficha limpa” mobilizou, em todo o Brasil, milhões de pessoas que acreditaram na possibilidade da decência e da ética na política. Em Brasília houve quem apostou que seria mais fácil a vaca voar do que esse projeto de lei de iniciativa popular passar pelo Congresso Nacional. Surpresa! A vaca não voou, mas o projeto passou, a lei já foi sancionada e está em vigor. Agora é vigiar e clamar pela sua aplicação correta. O País agradece a tantos cidadãos que se empenharam para barrar, antes das urnas, pretendentes a mandatos políticos que não podem ostentar idoneidade moral para governar ou legislar. Será bom para o Brasil. Muito bom.

Mas, sejamos justos. Nem todos os políticos foram ou são “fichas sujas”. Muitos desempenharam com dignidade e grandeza a sua missão. No passado e no presente. Quero lembrar um deles, Tomás Morus, um político inglês. Não é que faltem exemplos também entre nós, mas porque esse é emblemático. Nasceu em Londres, em 1478; estudou Direito em Oxford, casou, teve 3 filhas e um filho. Homem de vasta cultura, amigo de notáveis protagonistas do Renascimento, escreveu vários livros sobre a arte de governar e em defesa da religião - era católico fervoroso. Em 1504 foi eleito para o Parlamento e o rei Henrique VIII confiou-lhe importantes missões diplomáticas e comerciais; chegou a ser membro do Conselho da Coroa, vice-tesoureiro do Reino e, em 1523, presidente da Câmara dos Comuns. Em 1529 foi nomeado chanceler de Sua Majestade.

Quando o soberano, não atendido pelo papa em sua pretensão de divórcio, resolveu ser, ele mesmo, o chefe na Igreja da Inglaterra, separando-a de Roma, o fiel chanceler começou a ter problemas. Não aprovando a ingerência do rei na Igreja e não aderindo à sua política discriminatória contra os católicos, Tomás Morus renunciou ao cargo e retirou-se da vida pública, para sofrer, com sua família, o ostracismo e a pobreza. Foi encarcerado na Torre de Londres e submetido a várias formas de pressão para prestar juramento de fidelidade ao rei. Preferiu permanecer fiel à sua consciência e, com firmeza, denunciou no tribunal o despotismo do soberano. Condenado à morte por “infidelidade ao rei”, foi decapitado no dia 6 de julho de 1535.

Da prisão, escreveu à filha Margarida: “Fica tranquila, minha filha, e não te preocupes com o que possa me acontecer neste mundo. (...) Até agora, Deus me deu a graça de tudo desprezar, do fundo do coração – riquezas, rendimentos e a própria vida – ao invés de jurar contra minha consciência”. E manteve esta posição com serena firmeza. Não traiu a consciência por vantagens, poder, riquezas, prestígio, nem passou por cima da verdade e da decência, mesmo para salvar a própria vida. Permaneceu “ficha limpa”, sabendo que isso lhe custava a cabeça. Literalmente.

Em 1935, quatro séculos depois de seu martírio, o papa Pio XI declarou-o “santo” e, no ano 2000, João Paulo II proclamou-o patrono dos governantes e políticos. De fato, vários chefes de Estado e de Governo, numerosos dirigentes políticos, além de Conferências Episcopais, haviam apresentado sugestão ao papa, nesse sentido. Tomás Morus foi um político comprometido com a verdade e com os valores éticos. O que mais impressiona nesse grande homem público é a retidão e a inflexível fidelidade à própria consciência. Colaborou com a Autoridade e as instituições, enquanto eram legítimas; exerceu o poder na medida da justiça, como serviço ao povo e a seu país. Mas sua grande firmeza de caráter e sua sólida estatura moral não lhe permitiram cair na tentação de usar o poder para sua vantagem e ganhos pessoais. Colocou sua atuação pública ao serviço dos mais pobres e desprotegidos, promoveu a paz social, a educação integral da juventude, a defesa da pessoa e da família. Diante das lisonjas do poder, das honrarias e das riquezas, conservou uma serena jovialidade, inspirada no sensato conhecimento da natureza humana e da futilidade do sucesso. Manteve o bom humor, mesmo diante da iminência da morte.

Tomás Morus harmonizou, de forma extraordinária, sua intensa vida pública com suas convicções interiores. Um bom político, de fato, não pode separar-se da verdade, nem dissociar sua ação da moral. A dignidade dos homens públicos é certificada por uma boa consciência. Como explicar, diante do povo, vantagens desonestas, sem afundar ainda mais no charco da mentira e da desonestidade? A vida de Tomás Morus é um belo exemplo de ética na política. Coisas que ficaram no passado? Não creio. É o mesmo anseio manifestado, ainda hoje, pelos milhões de brasileiros que apoiaram o projeto de lei de iniciativa popular “ficha limpa”. O futuro confirmará, com toda a certeza, que esta lei terá contribuído muito para melhorar o nível ético da política brasileira.

Estamos num ano eleitoral e o povo brasileiro é convidado, mais uma vez, a fazer um discernimento acurado sobre candidatos e partidos, para escolher e votar. Esta é mais uma boa chance dos cidadãos para deixar claro quais rumos querem ver na política do nosso País. Tomás Morus tem algo a ensinar e nos lembra, sobretudo, que a verdade e a ética são inegociáveis. Não têm preço. Também alerta que a corrupção da consciência é uma vilania que pode levar ao despotismo e às maiores injustiças. Com freqüência, clama-se por reformas profundas para melhorar a política do País e elas, certamente, são necessárias. Porém, mais necessários ainda, na condução da vida política de um povo são os políticos íntegros. Chegou a hora de conhecê-los e de votar neles.

 

Card. Dom Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

Artigo publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO, dia 10.07.2011

Liderança pela empatia e afetividade

 Quem foi que falou que liderança tem que ser austera, rude, cruel, implacável, exigente?

 Quem disse isso gosta de ser assim ou sempre gostou de ser tratado assim. Ser líder, tem que ser acima de tudo amigo, parceiro, conselheiro, orientador, estimulador e, principalmente, um bom exemplo. Afinal de contas, líder e liderados, trabalham para o mesmo fim. Têm o mesmo objetivo e necessitam alcançar metas comuns.

 Nunca se falou tanto e de forma tão clara que resultado hoje é o que importa. Há muito conhecemos premissas básicas estabelecidas para se alcançar resultados. Podemos enumerar: dominar bem as tarefas, manter boa disciplina, estar  bem preparado profissionalmente e com muita disposição pessoal, ter uma boa supervisão, ser extremante dedicado, saber aonde quer chegar e como chegar aonde se quer. Essas porém eram  algumas condições que ajudavam muito a obtenção de bons resultados. Entretanto, o mundo sofreu profundas alterações. Essas condições não são mais suficientes para atingirmos bons resultados. É necessário algo mais especial, mais pessoal. É evidente que quando o  comandante é fraco, a equipe também é fraca, mas, a condição básica na verdade, é uma liderança eficiente, competente e, acima de tudo,  ter muita empatia e ser muito afetivo.

 Nisso tudo não há novidade nenhuma. Há muito que se trabalha e há muito que se produz com resultados e com eficiência. A diferença é que o tempo e a globalização passaram a exigir muito mais rapidez, mais dedicação, mais compromisso com as obrigações assumidas. A razão é muito simples. Empresa não é criada para pagar  impostos e dar empregos, empresa é  criada para dar lucro e para se obter lucro são necessários excelentes resultados! Portanto, o objetivo é claro: lucro e resultado, por conseguinte, muito esforço, muito trabalho, muita dedicação, muito ganho, muito sucesso, para todos. 

 Se o negócio é lucro e resultado, foram criados os estimuladores: bônus, participação, comissionamento, gratificações. Essa é a “cenourinha” que o mundo moderno criou para que as pessoas possam render mais. Como as metas a serem alcançadas sempre são muito desafiadoras, muito atrativas, o esforço para serem alcançadas têm que ser muito maior. É ai que entra o novo líder, carismático, empático, afetivo. E é graças a isso também que as profissionais do sexo feminino têm se saído muito melhor que os profissionais do sexo masculino. Já faz muito tempo que se abandonou o sistema de se conquistar resultados com o chefe olhando os seus subordinados.

 Hoje, os resultados é que estabelecem a manutenção do emprego e o crescimento profissional. As pessoas hoje querem ser valorizadas, respeitadas, reconhecidas, recompensadas. Nisso as mulheres são melhores, mais sensíveis, mais perceptivas.

Então, podemos concluir que ter empatia e ser afetivo é atribuição de líder mulher? Não, absolutamente, mas os homens necessitam prestar mais atenção nisso. A condição, tratar os outros como gostaria de ser tratado, é super importante. A lógica não está na forma (como deve ser feito), mas sim na execução (como fazer).

 O líder moderno, atual, do momento, é amigo, tolerante, orientador, humano, que participa e faz junto, que está ligado nos anseios da equipe e muito exigente para que as metas sejam alcançadas. E disso ele não pode abrir mão. A máxima antiga, os fins justificam os meios, nem sempre alcançam bons resultados. Na maioria das vezes os meios é que conseguem produzir bons resultados finais. Quem souber perceber isso terá sempre um resultado melhor e será um líder mais eficaz, por conseguinte, mais feliz.

Ser líder, portanto, não é atribuição, é conquista, é aprendizado, é acima de tudo ser um bom exemplo do “faça o que eu faço e não faça o que eu mando”.

 Diante disso, você está preparado para ser um bom  líder?

 

Antonio Geraldo Wolff

Conselheiro do CRA-SP Conselho Regional de Administração – Registro 12.784